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Mostrando postagens de novembro, 2013

Cacos de ampulheta - breve texto sobre calos, decisões e memórias

O mar podia contar a ele muitos segredos, mas se calou. O mar pode nos contar segredos se tivermos ouvidos feitos em cristal. Contentou-se em lamber seus pés, ainda sabendo que é imensidão. Dúvidas são calos que não nos deixam. Percorre a areia com os pés descalços até sentir que as águas salinas esfriaram. Ou foram as solas dos pés que se esquentaram sobre a areia fina de verão. O escafandro já estava preparado para a tarde. Para o isolamento. Memórias são calos que não nos deixam. E o mar não o consola. Peso no coração que pende para o lado esquerdo quando as decisões são apertadas. O tempo se espreme na ampulheta em prisão perpétua. Suas areias querem liberdade. E a língua fria do mar em dias quentes. De volta pra casa, o dia se estende em lembranças tortuosas. O mar não quis revelá-lo sobre como ser imenso e ter sempre razão. Como rugir com patas enormes de dinossauro. Sobre a cama ainda um último bilhete. Um último conselho. Ele tem visitado o mar todos os dias. Sua língua só la...

Rosa e cinza

Mudança de ar Clima rarefeito A rosa se contorceu no mar de rosas E depois do último salto Caiu na caçamba para nunca mais Trepidou no latão Contorcendo-se por quatro esquinas Ainda perfumada, caiu na terra Pele avermelhada Sangrando Resignada Juntou-se a outras tantas Muitas Sentindo o calor aproximar-se Arderam mansas Todas Fumaça rosa Incensando Mar de cinzas.