(...) No dia do embarque, Soraia tremia da cabeça aos pés. Trazia um aperto na nuca e uma fogueira na boca do estômago. Os pés flutuavam temerosamente na incerteza da volta pra casa. Até ali, o guepardo não a atacara. Havia sumido entre os canos de descarga da cidade. Talvez a espreitasse na rodoviária, disfarçado em alguma fila de guichê. Fábia prometeu que ficaria com ela até a entrada no ônibus. Olhava somente para frente, sem dizer uma palavra. A companheira também não puxou assunto, pensando no cochilo da tarde para se garantir na batalha noturna. Enfim, o velho ônibus de carcaça amarelada encostou-se à plataforma 12. Um abraço magro de despedida e sussurros de agradecimento, manhã amarga de decisões e medos. Fábia sentiu um aperto dentro do tórax e foi ficando pequenina na plataforma, o ônibus se afastava. Soraia manteve-se tensa durante a viagem inteira. Salva do salto do guepardo, que seria um fantasma dali pra frente, cravado em memórias aterrorizantes, mas que teria que per...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).