Precisei ligar para a casa de Dory e Anastácio, no meio da semana, num fim de tarde. Usei o telefone fixo e me ajeitei na poltrona, sabendo que um dos dois atenderia depois de muitas chamadas. Já não correm tanto quando escutam o fixo tocando. As pernas envelhecidas não deixam. Do outro lado, atendeu Anastácio. Sei bem que ele não gosta de ficar muito tempo conversando por telefone. Suas respostas são sempre curtas e vagas aos assuntos que invento para passarmos o tempo da tarde. Mas, dessa vez, eu tinha um assunto importante a tratar. Pedi que chamasse Dory, depois de uma troca rápida e educada de perguntas sobre a vida. Anastácio pousou o telefone sobre a mesa com tampo de vidro - sei disso porque os visito constantemente - e pude escutar o ruído da TV ligada. As falas eram compassadas, sempre em um mesmo tom de seriedade, o que parecia ser de um telejornal. Anastácio não perde a mania de ver as notícias da tarde, muitas que talvez possam fazer mal ao seu coração já meio gasto. Escut...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).