— Nelinda, você pode passar na quitanda quando voltar da rua? — Qual quitanda, dona Esmeraldina? — A do Ernesto mesmo. É pra comprar três tomates e um pé de alface. O resto eu busco amanhã. Vou te dar o dinheiro. Com dificuldade, dona Esmeraldina se levanta do sofá e vai até o quarto. Chega na sala abrindo o porta-níquel prateado com flores vermelhas e entrega uma cédula e umas moedas à Nelinda, que, por sua vez, guarda tudo em seu porta-níquel verde desbotado. Havia um belo fim de tarde do lado de fora, com céu azul e vento fresco. Nelinda sairia rapidamente para ir ao sapateiro, verificar se suas sandálias já estavam com as solas consertadas. Indo para a casa de dona Esmeraldina, levaria o encomendado. A casa estava com as janelas da frente abertas. Um frescor balançava as cortinas e morria por entre os móveis. Era a primeira semana da primavera e o canto de um sanhaço podia ser escutado por entre árvores distan...