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Mostrando postagens de fevereiro, 2020

Meia-luz

Em cada meia-luz nascem Ideias conturbadas Diálogos perdidos Sonos apressados Mariposas impertinentes Lagartixas corajosas E a vontade forte de que A outra metade da luz Morra.

Recorte de um dia comum

   — Nelinda, você pode passar na quitanda quando voltar da rua?    — Qual quitanda, dona Esmeraldina?    — A do Ernesto mesmo. É pra comprar três tomates e um pé de alface. O resto eu busco amanhã. Vou te dar o dinheiro.    Com dificuldade, dona Esmeraldina se levanta do sofá e vai até o quarto. Chega na sala abrindo o porta-níquel prateado com flores vermelhas e entrega uma cédula e umas moedas à Nelinda, que, por sua vez, guarda tudo em seu porta-níquel verde desbotado. Havia um belo fim de tarde do lado de fora, com céu azul e vento fresco. Nelinda sairia rapidamente para ir ao sapateiro, verificar se suas sandálias já estavam com as solas consertadas. Indo para a casa de dona Esmeraldina, levaria o encomendado.    A casa estava com as janelas da frente abertas. Um frescor balançava as cortinas e morria por entre os móveis. Era a primeira semana da primavera e o canto de um sanhaço podia ser escutado por entre árvores distan...