Em um conhecido e movimentado museu, de uma cidade do interior, acessávamos os banheiros por uma escada feita com velhos dormentes de trilhos de trem. A madeira já um pouco gasta, o ânimo já um pouco escasso, mas era só uma ida ao banheiro e o passeio chegava ao fim. Abro a porta azul royal e um cheiro forte de naftalina invade minhas narinas. Temo uma dor de cabeça. Acendo a luz. Visualizo três bolinhas do produto mortal aos insetos sobre o suporte de papel toalha. Sempre associei naftalinas a baratas, nojentas e inconvenientes. Mas o que baratas fariam em um museu tão distante do centro da cidade? Sempre associei baratas com restos de comida. E nem lanchonete havia no lugar. Fecho a porta em frente ao sanitário que escolhi, meio às pressas, para fugir daquele cheiro nauseante. Ao olhar para o chão, um besouro enorme e cascudo está com as patas para cima. Nadava em vão no ar, com as patinhas em movimentos dementes. Lembrei-me de um conto de Julio Cortázar, em que o personagem que...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).