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Mostrando postagens de dezembro, 2017

Cálice de copas, fecha-se um tempo

De toda essa água imensa Não provada Não teve gota nem melaço Para purificar minha boca De cara mal lavada Alma agachada Enfrentei versos e caravelas Afogados na levada Promessas e desentendimentos Surpreendida pela maré Lua nova morta Mar que não lava-pés Diante do altar do ego Prostrada em delirium ad infinitum Com a gota e um mosquito Pacto de nada, larva e micterismo Saio de meses Entro novo ano Pela dor sou nova nem lua De fogos explosivos Cara dura coração murcho Espero luz extrema Depois alguns tropeços Luto, luxo, recompensa Recomeça como roda Gira fortuna um enforcado Ás de espada em janeiro intenso Brilho de asa cortada De toda essa água Não provada Cálice de copas de ouro denso Reprovo-me em pedras guardadas Reprovo-me em lágrimas que bebo e tento

Casa 5

De quem foi A fachada Com três janelas Uma porta muda Venezianas descascadas Ao lado de um rio Só Com água barrenta E fétida Como a dos canais italianos De quem foi a casa 5 Hoje muda Amanhã ainda viva Diante dos motores Da contemporaneidade.

Tarô e domingo

A aurora é cortada Pelos pássaros que madrugam Assim como A carta da temperança é cortada Pela carta da estrela Com sua caixa de pandora Cheia de esperança e males Não se deve mexer com o futuro Quando o presente é Somente Uma aurora cortada pelos pássaros que madrugam.