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Mostrando postagens de abril, 2015

Conversa plana

Entre as almofadas vermelhas Conversávamos sobre O vento que não cessa As bailarinas de Degas A maçã revolucionária de Cézanne Sobre a sorte que permeia as mesas E nunca nos atende Talvez sejamos céticos Demais Preferimos odaliscas coloridas de Matisse A perfeição de Ingres Colávamos nossas falas nas paredes Para que alguém nos admirasse Até chegar um poster de Warhol E esconder as letras curvas.

Depois de 1926

No espelho, nossas avós parecem mais jovens do que quando a olhamos no fim do dia. Todas as rugas são marcas do que falaram, lutaram e vestiram. Todas as manchas na pele demonstram que "o sol nasce para todos". Não adianta aumentar o volume dos fones nas orelhas porque o inevitável é uma coruja reluzente que sorri para todos. São repetições de nossas mães apoiadas em teorias de páginas mais amareladas. Vestiram um dia o que hoje não se usa mais. Tentam entender o que não havia em sua época. De fogão de lenha ou de extrema economia do gás. De andar de trem que não podia ser perdido porque o próximo viria só no dia seguinte. Trazem ainda ideias econômicas, resquícios de um pós-guerra que nunca mais voltou. Apesar de a guerra ainda não ter saído dos próximos livros de história. O café deve ser economizado. Assim como os palitos de fósforo e o sabão em pó. E os papéis que embalam presentes. E as sacolas plásticas. E os vidros e latas vazios. Acumulam-se. Despencam-se. Opinam s...