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Mostrando postagens de junho, 2018

Um dia comum

Quase nunca vejo os dedos róseos da aurora Tarde do dia Cozinho o galo com chimichurri Desapareço horas offline Esqueço a panela em meio à casa enfumaçada Anoiteço com o livro jogado no chão Porque já estou com Morfeu Sem memória no sofá Ele me fala da aurora Ainda é cedo Só mais cinco minutos eternos Dentro no meu android made in china.

A cigana

Até as próximas badaladas do relógio, empesteado de restos de pombos, da catedral metropolitana, Mariano não sairá de detrás da pilastra da obra abandonada ao lado mercado do Rui. Jurara ter visto um fantasma às três horas da tarde, passando em frente à catedral. Era uma mulher, de ares ciganos, saia longa rosa e cabelos negros compridos. Não conseguiu ver seu rosto. Na verdade, no lugar do rosto havia uma névoa. Não viu seus olhos, nem seus dentes provavelmente dourados. Viu um borrão que se alastrava em sua face. Mais nada. Quando deram as três e meia no relógio, Mariano, que ainda não estava atrás da pilastra da obra abandonada, a viu outra vez, atravessando a rua, rumo à praça do chafariz grande. Depois dela, passaram dois caminhões, lotados de árvores velhas cortadas. Mariano ficou confuso e a perdeu de vista. O semblante embaçado era o mesmo de antes. De costas, viu a cabeleira até a cintura se mover com o vento morno do meio da tarde, mas quando conseguiu mirá-la de frente, era ...

A um bordado

Pelo fundo da agulha Um turquesa forte Passa rápido Deixando pedaços Em cada buraco alinhado Formas ajuntadas De cores variadas Antes de sair ainda Do fundo apertado Um nó se lança à trama Ajustando, finalizando Aquilo que se formou Desenhado Ponto após ponto Atenção após atenção.