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Mostrando postagens de setembro, 2013

O mar sempre tem razão

Visto de cima o mar é uma grande placa azul que nunca erra. O mar sempre tem razão. Balançando na pequena barca, as certezas também balançam. Mas certezas são inabaláveis. Em seu vestido preto de corte duro pensa no mar e suas conclusões. As águas correm com força e sempre chegam. Não importa aonde ou como, mas sempre chegam. Chegar era o objetivo da pequena viuvinha em trajes sérios. Viúva de seu próprio passado morto. Ao redor, alguns olhares a espetam. A tarde demora a findar. O sol apareceu depois de quatro dias, retirando o cinza das águas frias. O destino ainda está longe. Requer muitas noites de sono. Pesadelos a atormentavam. O minúsculo navio era sempre atingido pelo inimigo e levava horas cruéis para adormecer na areia do fundo do oceano. Lentamente despedia-se do horizonte. Ela sempre desmaiava e acordava respirando debaixo d'água em outra cidade, cheia de flores e mulheres e homens ruivos que a ofereciam mais flores e casas para se hospedar. Falavam um idioma estranho, ...

Gaiola pequena

Bateu a porta e bateu em retirada feito cão raivoso. Ao sair sentiu um nó na traqueia de quem não via o mundo lá fora há muito tempo. A claridade o tonteou. Fora do prumo. Caminhando e varrendo a calçada irregular com as solas dos pés. O mundo do lado de fora é uma gaiola gigante, cheia de gente que acha estar livre e feliz. Ele esqueceu os óculos, mas as pessoas eram transeuntes vivas, apressadas, coloridas, rarefeitas, falantes. Não falava há dias. Ouvia muito e não falava. Não falava porque ninguém o entendia. Foi ficando derretido aos poucos, como neve no anúncio da primavera. Murcho. Escutando. Até que naquele dia ensolarado e quente de quinta-feira de manhã resolveu dar um basta. Calado, bateu a porta. Mudo, saiu percorrendo a calçada irregular com nó de gravata desajustada na goela. Ele não era culpado. Era simples de ideias, mas ninguém as ouvia. E quando resolviam ouvir o pobre enforcado nas angústias, ninguém compreendia. O mundo é uma gaiola imensa cheirando a gás carbônico...

Lua nova

Querida lua nova Seu rosto está triste e eu sei A luz se foi Não abruptamente O seu sorriso, sim Foi pelo mar de estrelas Uma a uma na imensidão Até tocar a ponta do meu sorriso Perdido Lua velha De cortinas fechadas Trarei cigarras Para embalar seu sono Durante a madrugada Amanhã outra vez Lua nova Lua velha.

La última batalla

Nora Nei andaba dando vueltas por el inmenso patio y no sabía si había hecho lo correcto. Hubo muchas batallas y escándalos, muchos obstáculos que ella no enfrentó. Simplemente los evitó. Eran fantasmas oliendo a moho, corriendo detrás de ella con sus terribles voces. Conocía bien toda la casa grande, todas sus habitaciones, todos sus armarios. El único lugar que le daba paz era el inmenso patio en el centro de la construcción antigua, con una fuente con aguas verdes. Caminaba sedienta como un réptil alrededor del agua ruidosa, que subía y caía sobre el pequeño mar, dentro del concreto. Nora Nei sabía, sobre todo, que la próxima batalla sería sangrienta y tal vez la última. Imposible sobrevivir, los enemigos eran incontables y las armas eran desconocidas. Cada luna no le traía la respuesta deseada. En el patio había seis puertas inmensas. Cada una daba a un lugar distinto de la casa grande. Nora Nei tenía gran conocimiento sobre el mapa. Podría andar con los ojos cerrados sobre él...