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Mostrando postagens de novembro, 2015

Dora

Entrei no ônibus de volta pra casa e lá estava Dora, com sua roupa discreta e cabelos curtos. A primeira vez que conversei com Dora foi há doze anos, no mesmo ônibus, voltando pra casa. Estava cansada e triste. Puxei conversa com ela para que a viagem passasse mais depressa. Uma pessoa comum, solteira, sem filhos e que vive para os sobrinhos. Discreta. Ou talvez com um medo imenso da vida. Gente que não se arrisca. Pobre de Dora, não quero julgá-la. Conversamos sobre o trivial. Sobre o tempo, calor ou chuva. Não me lembro de muita coisa. Memorizei o bairro onde ela mora. Memorizei ainda que sua vizinhança estava fazendo uma vaquinha para a construção de uma igreja, a Igreja de Santa Cruz. As contribuições eram pequenas, de centavos. Ninguém gostava de colaborar, os dias eram difíceis para todo mundo. Dora ficava por conta da arrecadação mensal. Simplesmente arrecadava. Não fazia mais nada. Não movimentava a coisa, com festa, prêmios, leilões, prendas ou barraquinhas. Não pensava em na...

Rose and Jose

Com a mesma idade Com aparências tão diferentes Pele com sol Pele com lua Cabelos nigérrimos em uma Longos Cabelos amarelados em outra Luzidios Alta ou não Falam Falam Falam Adoro Ouvi-las Sorrisos brancos Úteros não mais virgens Casos e sonhos Sentaram-se em dias tão diferentes Em minha poltrona de chenille escarlate Que pena que se levantaram antes do café Rose and Jose ainda têm uma vida enorme pela frente. Foto da autora. Poltrona da minha sala, 2015

Arrependimento #51

Cartas na manga Como se a vida fosse um jogo Roubos e truques Sobre o tapete verde Amuletos quebrados Trevos de muitas folhas Murchos Um dia no espelho você confere que É carta fora do baralho.