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Mostrando postagens de novembro, 2019

Granizo

Uma nuvem grande, condensada Um mormaço suando, descontrolado Às duas da tarde, correria, guarda-chuva Tecidos vários, coloridos, aos pedaços Granizos, muitos, acumulados Sem dó e esfumaçantes Sobre os carros Sem aviso Leiam a Bíblia, o fim está próximo Profetiza o homem com apito no semáforo Na próxima, uma sombrinha colorida Rodopios, desafiando o espaço Mas nunca o tempo Esse senhor de todos os cansaços.

A máscara da girafa

Tinha os pés cansados como saídos de um atoleiro. A cabeça não comportava mais as ideias saltitantes. A mente agora pairava no ar. Queria descanso, conforto, comida, banho quente. Andar todos os dias entre um zilhão de gente. Gente distraída e desconfiada. Gente desgastada e indiferente. Gente que pipocava por todos os lados e feria como água quente. Um mundo inteiro a ser percorrido. Mas as ideias o cansavam. Daí, deletou todas, todas, todas. Tudo o que era novidade. Tudo o que cheirava a tinta fresca. Envergado pela derrota. Zerado. Cansara-se, como nunca antes. Sapatos furados já encharcados da chuva do dia anterior. A barba por fazer há meses. O odor de graxa que não saía das mãos. Mesmo depois de caminhar por dias e mais dias. As tardes ensolaradas não eram mais observadas. A vida perdia o vigor. O sol engolido por prédios enormes todo santo dia. Às vezes a bolota incandescente se resfriava na garoa e sumia feito fumaça magra atrás do arranha-céu. Observou tanto tempo a vida em si...