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Mostrando postagens de novembro, 2012

Lábios petrificados

Horas marcadas para anoitecer O brilho nos lábios manchados Foi coberto por um mal desconhecido Apodreceu por horas Até terminar num escuro azulado Daí foram dias, mais dias, e mais dias No amanhecer do sol fumegante Já não havia mais rastros Ratos se enfiaram por todos os lados E contaram histórias De fazer rir e chorar Humanos Perdem-se sempre nos rastros alheios Prometem em meio a sorrisos Fogem em meio às lágrimas No anoitecer vieram baratas Todas e várias Pechinchar os restos Lábios manchados petrificados Restos sob o sol caído Piedade sobre os dias posteriores Músculos e ideias são fumaça Ratos em festa quando entardecer Humanos Passar-se-ão os dias Será verdade quando os ratos engolirem as baratas Surgirá no ar o silêncio indiscutível Nada de sorrisos ou lágrimas Só folhas batendo no azulejo Batalhas inúmeras e limpas Lábios petrificados não mentem Sem brilho Sem restos Sem mordaça.

Que se apiedem

Apertava a chave na mão. Com força para que ela não voasse, ultrapassasse a janela e caísse no pântano desencorajado. Quase derretia no calor da sua mão. Quase ficava torta, inutilizada de fechadura. Esquentava e pedia desistência. Na memória ainda guardava as ruas infinitas que o levavam a doce amizade de Azaleia, de cabelos pretos enormes. Conversavam sobre tantas coisas uma tarde inteira de dezembro e mais dezembros. Desenhava o sorriso largo da flor em seu caderno velho assim que chegava em casa. Para não esquecer. Ficava horas imaginado outras conversas para o fim do dia, pra lá daquele fim de rua estreita que terminava num riacho barulhento. Memórias. No riacho gostava de lembrar das palavras que ela dizia, tão baixinhas igual poema que solta lágrima escondida. Ela o espremia, de longe, como se fosse limão, e o azedume saía fácil e só ficava o cheiro de coisa limpa no ar. O pensamento voava e escorria com a água e com o barulho que não parava. Com o tempo percebeu que percorria ...

Palavras na minha boca

Coloque Palavras na minha boca Doces e insanas Derretidas Na cor violeta das amoras Envenene-me com Palavras Da sua boca Tangerinas marcadas Para acontecer Deslizando pela rua Esperando a sua Nua Palavra Na minha boca Com ar de grão de framboesa Entorne o que ainda resta Macere o que ainda presta Ainda espero você colocar Palavras e Ameixas pretas Na minha boca.