Brócolis. Pequenas árvores mastigadas lentamente. O rosto que ela avistava mesas à frente era tão familiar. Tinha traços reconhecíveis. Olhos ternos e aconchegantes, como edredom leve em dias de temperatura indefinida. O rosto inteiro era familiar. Pareciam conhecidos de longa data. A moça de uniforme vermelho pergunta se ele vai tomar alguma coisa. Ele responde água. Água aconchegante como edredom azul recém-comprado. Couve-flor é um brócolis que ficou pálido de susto. Ela repassa nas memórias antigas alguém que seja assim, como ele. Tão familiar. Poderiam ter estudado juntos, trabalhado juntos, brincado juntos em qualquer parque sujo da infância. Quem sabe ele não perguntou as horas em alguma esquina desencontrada de ruas sem nomes importantes ou lembráveis. A cada mastigada o olhar deveria ser discreto. Porque tudo poderia ser um grande engano. A presença dele mesas adiante deixou seu almoço paralisante. Comia porque iria trabalhar depois. Necessidade do estômago vazio. Mas o pensam...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).