Quando criança, Lelinha acompanhava sua mãe em todos os lugares. Naquela rua estreita, atrás do supermercado, havia uma quitanda minúscula, frequentada por sua mãe semanalmente. Do tamanho de uma garagem, tinha em volta da entrada várias pencas de banana penduradas, formando um arco amarelo ouro. Dentro, prateleiras de madeira já escurecidas, cheias de frutas exalando perfume forte. Ameixa, abacaxi e laranja. Sua mãe pegava uma bacia de plástico na pilha, rosa choque ou azul royal, e enchia de punhados de quiabo, vagem, batata e chuchu. Tudo depois seria pesado na balança de ponteiro, um tanto enferrujada ou talvez desregulada. O dono, já com suas rugas e dentes amarelados de nicotina, fazia contas mirabolantes depois da medida do ponteiro. Falava o total, o que seriam centenas de cruzeiros somados. Pagavam e saíam para mais compras semanais necessárias em outros lugares da cidade. Mas a quitanda era um lugar que Lelinha adorava. Para sua mãe, uma rotina como outra qualquer. Para a fi...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).