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Mostrando postagens de abril, 2018

A quitanda com arco de bananas

Quando criança, Lelinha acompanhava sua mãe em todos os lugares. Naquela rua estreita, atrás do supermercado, havia uma quitanda minúscula, frequentada por sua mãe semanalmente. Do tamanho de uma garagem, tinha em volta da entrada várias pencas de banana penduradas, formando um arco amarelo ouro. Dentro, prateleiras de madeira já escurecidas, cheias de frutas exalando perfume forte. Ameixa, abacaxi e laranja. Sua mãe pegava uma bacia de plástico na pilha, rosa choque ou azul royal, e enchia de punhados de quiabo, vagem, batata e chuchu. Tudo depois seria pesado na balança de ponteiro, um tanto enferrujada ou talvez desregulada. O dono, já com suas rugas e dentes amarelados de nicotina, fazia contas mirabolantes depois da medida do ponteiro. Falava o total, o que seriam centenas de cruzeiros somados. Pagavam e saíam para mais compras semanais necessárias em outros lugares da cidade. Mas a quitanda era um lugar que Lelinha adorava. Para sua mãe, uma rotina como outra qualquer. Para a fi...

Limoeiro

Com a lua descendo aos poucos no céu, era difícil se concentrar em outra coisa. Estava dividida, bem ao meio, com um lado tão branco como as nuvens, sobre um fundo azul celeste. A lua podia ser vista durante o dia, intocável. Milhares de coisas ainda por fazer. O trabalho e as opiniões que devem ser formadas todos os dias para parecermos mais lúcidos. Olhar a lua não é pecado. Continuemos a observação. Até alguém bater na porta e entrar resmungando que a vida é um limoeiro bem criado. Quem pensa que a vida é azeda, como limão pequeno caído fora de época, deve pensar que a solução é cortar o limoeiro fora. Por que não? Peguei o machado meio enferrujado no quartinho dos fundos de casa. Passei um pano velho na lâmina para melhor apresentação e funcionamento. O pé de limão ainda estava pequeno, mirrado, com tronco fino atrofiado. Seria fácil destruí-lo com uma cortada certeira. Talvez a faca de cozinha servisse. Mas queria algo mais emblemático para cortar o azedo da vida. Senti o peso da ...