Sentada na cadeira de uma sala vazia, Analice é o vício que se repete por não ter mais aonde ir. Foram-se todos. Todos em um dia de lua quarto crescente. Crescia em seu peito avencas enormes de dias abandonados. Avencas selvagens. Que nascem à toa e morrem em um dia sem testemunhas. Seus olhos estavam secos, como a boca e os órgãos do corpo inteiro. A porta bateu com força. Ela nem se moveu. Escutou passos em sua direção. Não olhou para trás. Não se interessou em quem poderia ser. Todos se foram em um dia de lua de quarto crescente. Estava só com os pés sobre o chão imundo e frio. Um cheiro de cigarro estacionou em suas narinas. Imaginou quem poderia ser. Cheiros sempre a apunhalavam o coração, abrindo arquivos emperrados de vinte anos ou mais. Cheiros eram deuses que desciam a terra, esfregando-lhe no nariz quadros com pinturas reconhecíveis. Pinturas aceitáveis de terra firme. Pinturas medonhas de mares impossíveis. Sentiu uma mão morna sobre seu ombro esquerdo. O tato não lhe trazi...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).