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Mostrando postagens de maio, 2015

Solvente

Dos azuis encontrados Estendidos na relva Salvam-se os que foram pintados Por humanos que ainda creem na salvação Dos vermelhos tirados Das árvores mortas Ficam os pontilhados Das lanternas que vigiam Dos verdes desbotados Em casas esquecidas Restam retratos e tatuagens Sob lápides vigorosas Dos amarelos sorridentes Espetados nos montes Valem os que persistem Nas guerras incontroláveis dos egos Dos brancos pálidos Em barbantes podres Amarram-se gentilezas perdidas Impossíveis de serem vistas O tempo fechou sobre o marrom dos telhados Das lamúrias que eram de vidro.

Ária 1

   Passou ao lado do tocador de órgão que recebia moedas em um quepe cáqui, estendido ao público pela mão esquerda. A música do realejo ecoava pela Avenida 16 de Setembro, juntando-se a tantas outras canções que se misturam pelos ares da cidade. Uma metrópole movimentada pelos mesmos rostos morenos, passando pelas mesmas ruas, cheias de casacos em pleno outono abafado. Havia quase ninguém no interior das lojas, que raramente anunciavam promoções. A 16 de setembro desembocava no Zócalo, uma praça imensa, histórica, cheia de patrimônios e multicultural. Uma bandeira enorme do país flanava vagarosamente em seu centro. Esticada à direita, como se o vento a segurasse em suas pontas, exibindo-a aos visitantes.    Um campo aberto, com muitas vozes, crianças correndo, pessoas tirando fotos com a catedral ao fundo, com seus sinos pesados anunciando celebrações. Lá dentro, o Senhor do Veneno olhava cabisbaixo, crucificado e negro, todos os passantes, todos os pedintes, todo...