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Mostrando postagens de fevereiro, 2015

O embrulhinho

  Na Rua das Goiabeiras, ele quase enfartou ao colocar a mão no bolso da camisa e perceber que o embrulhinho não estava lá. Que suadouro. Fez o trajeto de volta até chegar em casa e com a face branca começou a revirar as primeiras gavetas da cômoda. A mulher não podia pegá-lo ali, todo sôfrego, a fuçar em toalhas alvas dobradas. Fechou as gavetas. Abriu-as outra vez na esperança da olhadela mal dada. Perda de tempo. Apalpou o bolso já por instinto. O embrulhinho não estava lá. Caiu na rua, decerto. Saiu correndo, triplicando o suor colado no corpo. Andou como cão farejador que não levanta os cílios. Percorreu tudo, até parar em frente outra vez diante da palmeira da Rua das Goiabeiras, onde tudo começou. Nada na calçada. Nada.    Foi para o trabalho mesmo assim. Talvez tivesse deixado-o sobre a mesa. Foi consolando-se com mentiras de algodão-doce, até sentar-se diante da máquina de escrever e constatar que o embrulhinho sumira de fato. Datilografou tudo errado naq...