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Mostrando postagens de julho, 2015

Arrependimento #2

Na minha infância Choveu em fevereiro No rádio Uma canção francesa pop Caíam gotas e mais gotas da rosa no jardim Atrás do vidro da janela da sala Pensei em ampará-las em um vidro de maionese Mas tínhamos uma vida saudável.

Arrependimento #1

Ao cruzar a rua Debaixo do semáforo Dei de cara com um desafeto Um tanto magro Perguntou-me sobre as horas "As horas"? É um clássico de Virginia Woolf Sem entender nada, partiu o desafeto Descobri que não é bom atrelar-me A quem tem uma estante decadente.

Úrsula da sapataria

Na sapataria, que completou trinta anos de existência no mês passado, Úrsula remenda o couro de uma bota de cano longo, enquanto o marido atende os clientes. Na semana passada, uma pessoa escreveu na madeira do balcão as iniciais UJ com caneta esferográfica sem que ele visse. Uma pena, pois o balcão também completou trinta anos no mês passado. Alguns arranhões podiam ser vistos, mas as iniciais UJ a desagradaram muito. Seriam difíceis de ser removidas. Depois do último ponto dado à bota, Úrsula continuou sentada à máquina de costura. Uniu em sua frente o par de botas negras e pensou na provável aparência de sua dona. O salto era enorme e fino. Nunca havia usado um salto desses em seus cinquenta e nove anos de vida. Eram botas para uma ocasião especial, mesmo que precisassem ainda de uma boa engraxada. O Olavo, que trabalha de engraxate na esquina da Amoreiras com a Júlio Pereira, com sua caixa de madeira incrementada, daria um jeito perfeito nelas. Sendo sua dona, calçaria o par com um...