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Mostrando postagens de junho, 2020

Estrangeiros

Sobre folhas secas A corrente de ar trazia aromas precisos De casas nunca antes pisadas Pelos nossos pés estrangeiros Qualquer direção Aprazía-nos Perdidos Vozes distantes Cafés passados Vindos de casas Nunca antes vistas Pelos nossos passos estrangeiros A corrente de ar trazia ares da terra molhada De chuva ainda não esgotada E nossos pés perdidos Estrangeiros Quebrando folhas secas Apostando no oeste ou no sul.

A história do pingente de pedra amarela

Como poderia um pingente de pedra amarela durar para sempre? Não se deve dar presentes dizendo que a coisa durará por toda a eternidade. Era um pingente não muito bonito. A pedra fazia um formato de gota. Na ponta da gota, estava a argola por onde passava o fino cordãozinho dourado de Anabele. Cordãozinho folheado a ouro de poucos quilates. Nunca escureceu no pescoço. Usava há uns quinze anos. O pingente é que nunca fora o mesmo. Tudo começou com um crucifixo pequeno, depois passou para um coração gordinho dourado. Por muito tempo, usou a letra a de seu nome. Maiúscula, com aquele charme de traço cursivo, com uma leve inclinação para a direita. Em um dia nublado de começo de outono, com vento geladinho de fim de tarde, ganhou o tal pingente amarelo, de cor desbotada, em formato de gota, como já foi dito, com lapidação cabochon, apesar de não ser, nem de longe, uma pedra preciosa. No dia em que ganhou o presente, Anabele ficou surpresa. Antônio não era seu namorado, apenas um amigo de ...

Manhãs de junho

São cacos de histórias velhas Rosas cortadas Uma colcha lambendo o chão Inerte no varal de arame Enquanto o sol lambe flores geladas Nas manhãs de junho inférteis Batatas hibernam sob terra úmida Sobre nós um céu azul Sem nuvens Dolorosas Gotas pingam da colcha Sobre a terra Sobre a ausência Sobre os nós do lençol Lambendo a terra.