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Mostrando postagens de maio, 2018

Xaxins

Quando criança, Lelinha acompanhava sua mãe em todos os lugares. Era um tempo em que samambaias estavam na moda, plantadas em vasos de xaxins, hoje em extinção. E, em toda floricultura, os xaxins eram amontoados em pilhas. Na cidade onde Lelinha vivia, só havia uma floricultura. Um espaço enorme, com chão de cimento cru e paredes mal caiadas. Muitas mudas de roseira dentro de saquinhos plásticos de leite. Vasinhos pretos com violetas roxas, frescas. Sacos de húmus. Pequenas ferramentas de jardim. E mais xaxins, alguns com formato de simpáticas casinhas, onde você podia plantar sementinhas, como as de alpiste, e brincar de ver crescer folhinhas e podar aos poucos.  No teto, vasos pendurados por correntes finas. Samambaias, com seus xaxins, enormes, com folhagens que quase tocavam o chão. Nas paredes, mais plantas, com ou sem flores, com ou sem folhagens exuberantes. Lelinha não sabia bem quais eram todas as flores, somente violeta, rosa e margarida. Orquídea era raridade cara, assi...

Muro

Entre a contemporaneidade  De buracos e absurdos Conversas tolas por cima do muro Fizeram-me lembrar de você  Com sua alma sempre certinha A fala mansinha que dizia que estrelas eram sagradas E eu sempre gostando das estrelas que caem Que se esfolam agudas e que se apagam No chão Tudo em você sempre tão mar aberto, tão encorajado Daqui do meu lado Do muro Tudo tão aguado, aquarelado, esboçado, com medo, muito medo Entre a contemporaneidade E esse gigante muro de berlim Nossas palavras pulavam o concreto  Em pingue pongue interminável  Paredes me fizeram lembrar de você De largar a costa mansa rumo ao mar azul lindo Só lembranças Conversas tolas por cima do muro Com o vizinho que sempre oferece ameixas corroídas Pelo tempo, pelo terrível, pelo vazio Pelos morcegos.