As fases da lua foram vendidas uma a uma a preço de alforjes velhos. Quem comprou imaginou fazer bom negócio. Quem vendeu sorriu até o dia amanhecer, fitando o sol em luminosidade desafiadora. Aquela noite estava perfeita, com suas tochas, fogueiras, sacrifícios e lobos uivantes. Ninguém duvidou que os deuses iluminariam a festa ditosa. Ninguém imaginou que por detrás de uma grande pedra um forasteiro observava a maldita cerimônia. Perguntava-se qual a utilidade de um rei ser dono de fases de luas. Observava com os músculos inertes. Mulheres de corpos fantasmagóricos bailavam ao redor de fogueiras enormes. Uma era a mais bela de todas, com cabelos que se arrastavam até o chão. O som dos tambores era desafiador. Não podia ficar ali parado. Um lobo de pelagem escura assoprou em seu ouvido que era para chegar mais perto da festa. Em meia a tanta balbúrdia que diferença faria um homem a mais ou a menos. Era arriscado se aproximar, era irresistível a música. O lobo desapareceu. O...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).