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Mostrando postagens de setembro, 2015

Gaiola pequena

Bateu a porta e bateu em retirada feito cão raivoso. Ao sair sentiu um nó na traqueia de quem não via o mundo lá fora há muito tempo. A claridade o tonteou. Fora do prumo. Caminhando e varrendo a calçada irregular com as solas dos pés. O mundo do lado de fora é uma gaiola gigante, cheia de gente que acha estar livre e feliz. Ele esqueceu os óculos, mas as pessoas eram transeuntes vivas, apressadas, coloridas, rarefeitas, falantes. Não falava há dias. Ouvia muito e não falava. Não falava porque ninguém o entendia. Foi ficando derretido aos poucos, como neve no anúncio da primavera. Murcho. Escutando. Até que naquele dia ensolarado e quente de quinta-feira de manhã resolveu dar um basta. Calado, bateu a porta. Mudo, saiu percorrendo a calçada irregular com nó de gravata desajustada na goela. Ele não era culpado. Era simples de ideias, mas ninguém as ouvia. E quando resolviam ouvir o pobre enforcado nas angústias, ninguém compreendia. O mundo é uma gaiola imensa cheirando a gás carbônico....

Queimadura

Estou fora do ar E do fogo Trago mãos enrugadas Brancas Catastróficas Por confiar em corações ditos como Sinceros Saudáveis Por confiar na gasolina ainda não Acesa Eu gosto da imprevisibilidade Que explode Que me acorda Às seis da manhã Com luzes desmaiadas Mostrando que a previsão do tempo errou mais uma vez.