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Mostrando postagens de fevereiro, 2013

Ódio, ora chumbo, ora algodão

Era dada a lua A ela Que se transfigurava Ora chumbo, ora algodão Por horas Pela terra Ora chuva, ora sol Alaranjada Era dada a chance A ela De mudar de cor De roupa a cada estação No estalo da trombeta Ela se foi Bem no meio da dança de salão Não cuidou das tias Não cuidou do pomar No azedume do maracujá Lembro-me dela Tão azul Ora algodão, ora nuvem Distante Foi dada A ela A visita ao beco onde dormira Na noite anterior.

Cachoeira do mantra

Caminhos tortuosos em meio a quase escuridão. Depois de vários erros e acertos chegaram ao campo de apicultura. Não seria interessante passar a noite ali. Mas voltar seria um trabalho imenso. A noite apontou antes do esperado e eles foram pegos de surpresa. Deveriam ainda percorrer muitos quilômetros até desembocar na casa velha da cachoeira. O tempo foi mal calculado. A areia da ampulheta escorregou rala. Estavam agora entre zumbidos de abelhas, que não dormem, nem conversam. Com as mochilas ainda intactas, pensam em acampar ou não. Tirando a clareira cheia de caixas de abelhas doces e furiosas, o resto era só estrada sem pouso, com mato empoeirado sem aconchego. Há uma hora atrás, eles haviam avistado uma pequena casa com chaminé ativa. Mas como estavam longe do destino, esticaram o passo. Agora o labirinto desembocava em uma clareira perigosa e desconfortável. Os ventos da noite de lua minguada sopravam baixo, com hálito gelado. Sem muitos agasalhos, não podiam pensar por tanto tem...

Fio da navalha - o último pão

No fio da navalha Cortou o último pão Dividiu entre os cães E os rostos vigilantes Pendurados na parede Tirou da sacola Uma armadura potente Vestimenta da noite Quando as pinturas adormecem As grades das janelas cercam Chão com farelos Céu estrelado Perfeito No fio da navalha Afia os pensamentos Fatia os dias Galões de adrenalina Garganta destilada É a navalha que dita Bote da serpente No fio da navalha Corta o último pão Traços riscados nas paredes As pinturas avisarão A hora do risco certeiro.