A tarde cai cinza do lado de fora de uma janela qualquer. O vento remexe a poeira dos tempos não chuvosos. O verde da mata fica escuro. Uma mancha enegrecida que se expande sobre a terra. Uma casa ali e outra lá acendem suas lâmpadas amarelas. É o fim do dia de tantas pessoas que não conhecemos, com quem nunca conversamos e que devem ter suas histórias penosas. Se alguém dessas casas chega à janela e observa a tarde cinza, considerará da mesma forma que quem está do outro lado é um desconhecido, que acabou de acender a lâmpada quente ou fria. Observando o tempo pela janela, uma coisa é certa: todos se tornam iguais e sentimos uma ponta estranha de paz no coração. Quem passa lá embaixo pelas ruas já umedecidas pela chuva mole, que se inicia depois de tantos dias à espera, acrescenta à visão do observador mais pessoas sobre a massa desconhecida. Mas quem é aquela mulher que carrega um guarda-chuva vermelho escuro, cheia de sacolas de mercado, que parece ter pressa para fugir do fim de ...