Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2013

Os rios trotam

Era de se esperar que o dia nublado trouxesse a lembrança daquele rio barrento que vira muitas curvas até chegar à pequena casa de janelas rosadas. Duas janelas pequeninas, mas bem cuidadas, com cortininhas azuis com pequenas flores. Uma casinha a sós no fim do rio que se desmilinguia até ser fio fraco de água transparente. A saia verde surrada e os óculos grossos sempre observavam o que poderia haver dentro de uma morada tão minúscula. Era certo que vivia gente. O fogão de lenha soltava um cheiro que viajava depois das águas, depois do pasto. Uma pessoa morava ali, com certeza. A senhora de lenço xadrez que puxava da perna. Parecia ser boa pessoa. Parecia, somente. E a confiança não se estendia por tropeçar em dias sórdidos de modernidade. Os rios trotam com patas d'água. Vento forte que revirava a saia verde, debaixo para cima, na sinfonia do ar morno. Depois das janelas mínimas e das cortinas coloridas, imaginava poucos móveis e pouca comida sobre a mesa. No varal, somente peça...

A quien le gusta

Caminho com meus olhos pesados De bicicleta sobre um rio caudaloso Cometa de água barrenta Com fel na superfície Língua azinhavrada Arranhada na mesma canção do vinil Que repete como as maracanãs Tô fraco, tô fraco, tô fraco Cruzando os céus que refletem o curso pardo do rio triste Presa a um espelho eterno Que flutua entre as bicicletas Correm, correm, correm à margem, sobre e dentro Coração colado Todo sangrento Com fel na superfície Repete feito os lobos-guarás que ainda confiam em humanos Parte robô que sobrevive Parte roubada que sobrevive Cruzando Angolas, Moçambiques e afins Tô fraco, tô fraco, tô fraco Sobrevivente do grito da gralha azul que tinha razão Há meia hora atrás.