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Mostrando postagens de novembro, 2011

Nem tudo será perdido

Nem tudo será perdido Meu amor de pântano Meus prantos A cântaros Canto Como o rouxinol Roxeado preso na gaiola Tudo era tão claro Esparso E foi ficando Estando, pântano Canto óperas de faces maquiadas Maquiavelicamente maniqueísta Réquiem de uma nota só De dentro do bolso tiro ainda A corda com o último nó Atado por Seu canto de rouxinol de pântano Estalado na gaiola Enquanto o príncipe degola Enquanto saboreio meu gim Comendo seu rim Ah, acredite Nem tudo será perdido.

Pimenta, dominó e açucareiro

Tudo bem, não vou dizer a ninguém o que aconteceu. Talvez por medo, mas sobretudo porque me pediram. Não podemos sair por aí espalhando aquilo que não nos pertence. Mas bem que poderia pertencer. Porque então a chave da gaiola seria minha e o pássaro preto estaria liberto para fazer ninho na montanha encantada onde moram falcões belos e vistosos. Para ser forte é preciso estar perto de pessoas fortes. Saber escutar. Saber agir. Foi em fim de tarde começando a chover aquela chuvinha melada que saiu do açucareiro. O céu morno estava de mau humor e os fatos não foram pra frente como fila de banco em dias estéreis. Umas palavras apenas ditas na hora errada e o castelo todo se desmoronou. Sobrou ela, coitada, aflita, perdida, de saia justa e maquiagem borrada. Medonha solitária. O céu morno não teve pena. Ficou de estátua achando que a vida lhe daria novas colheres de chá. Coitada mesmo. Não posso revelar as palavras ditas. Seria romper o trato. Me deixem em paz com meu dominó. Quero paz e...

Balbúrdia

Balbúrdia, Balbina! Menina de barbante brilhante de lata de goiabada no anel no dedo fingida de noiva noiva de barbante brilhante no olhar lábios borrados Balbina alva, linda boba, finda cortes no coração balbúrdia confusão beba, Balbina! Até o fim diamante brilhante anel de barbante que a chuva levou. Balbúrdia, Balbina! Alva, linda ioiô com barbante anel de menina.

O futuro dele

Ele viu seu futuro nos olhos do gato sentado na janela. Aquele momento que se repete na mente sempre quando chega a tarde com seu ar gelado de pólo norte na esquina. Ainda tem na memória cheiros, gostos e gestos de muitos outonos distantes. Foi tudo muito rápido. Arrumou a mala com meia dúzia de panos sujos e saiu sem olhar pra trás. Imaginou que antes de sair havia matado todo mundo com aquele facão enorme de podar ameixeira em outubro. Ou em abril? De resto, nada mudou muito depois de decisão tão apertada. Antes tivesse ficado onde estava. Mas as ameixas não eram bolas de cristal. Tanta coisa já havia feito. Motorista de caminhão, entregador de pizza, vendedor de armazém, faxineiro de empresa gigante. Os trocados foram todos ao vento. O tal do uísque nem chegou a provar. As mulheres altas fugiam todas. Os carros passavam acelerados demais. Tudo era sempre muito rápido para desaguar depois em mesmice insana. Porque os mesmos jogos se repetem em diferentes mesas. As mesmas cartadas ac...