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Cálice de copas, fecha-se um tempo

De toda essa água imensa
Não provada
Não teve gota nem melaço
Para purificar minha boca

De cara mal lavada
Alma agachada
Enfrentei versos e caravelas
Afogados na levada

Promessas e desentendimentos
Surpreendida pela maré
Lua nova morta
Mar que não lava-pés

Diante do altar do ego
Prostrada em delirium ad infinitum
Com a gota e um mosquito
Pacto de nada, larva e micterismo

Saio de meses
Entro novo ano
Pela dor sou nova nem lua
De fogos explosivos

Cara dura coração murcho
Espero luz extrema
Depois alguns tropeços
Luto, luxo, recompensa

Recomeça como roda
Gira fortuna um enforcado
Ás de espada em janeiro intenso
Brilho de asa cortada

De toda essa água
Não provada
Cálice de copas de ouro denso
Reprovo-me em pedras guardadas
Reprovo-me em lágrimas que bebo e tento

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