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Caminho com meus olhos pesados
De bicicleta sobre um rio caudaloso
Cometa de água barrenta
Com fel na superfície
Língua azinhavrada
Arranhada na mesma canção do vinil
Que repete como as maracanãs
Tô fraco, tô fraco, tô fraco
Cruzando os céus que refletem o curso pardo do rio triste
Presa a um espelho eterno
Que flutua entre as bicicletas
Correm, correm, correm à margem, sobre e dentro
Coração colado
Todo sangrento
Com fel na superfície
Repete feito os lobos-guarás que ainda confiam em humanos
Parte robô que sobrevive
Parte roubada que sobrevive
Cruzando Angolas, Moçambiques e afins
Tô fraco, tô fraco, tô fraco
Sobrevivente do grito da gralha azul que tinha razão
Há meia hora atrás.

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