Na rua Aurora, havia uma casa tão linda. A fachada era pequena, com janelas brancas de madeira, sempre abertas, convidativas. Com dois andares, espremida entre prédio enormes, era a única das poucas casas da rua com jardineiras florindo cores brancas e roxas. A construção era de tijolos vermelhos e não levava tinta. Uma arquitetura, no mínimo, exótica, para estes lados, abaixo da linha do Equador.
Todos os dias, em minha caminhada ao trabalho, a pequena casa reluzia em dias ensolarados ou parecia mais aconchegante do que nunca em dias nublados ou chuvosos. Uma joia delicada em meio ao urbanismo seco e crescente. Sempre imaginava o que havia depois das cortinas marfim. Até que, em um dia muito quente de primavera, avistei uma senhora, de cabelos brancos e se apoiando em uma bengala, saindo para a rua, com uma bolsa de mercado. Diminuí meus passos para observá-la, enquanto ela fechava o portão baixo, em ferro batido, com toda a tranquilidade que uma manhã de primavera exige.
A partir disso, eu conhecia a moradora da casa mais bonita da rua Aurora. Uma senhora cuja a aparência combinava perfeitamente com a construção. Um encaixe perfeito na minha imaginação. Não era sempre que via a senhora na janela ou saindo de casa. Esse tipo de cena acontecia uma vez no mês, ou nem isso. Talvez ela tivesse problemas sérios de saúde - concluía pelo uso da bengala. E minha imaginação, ou curiosidade, passou a tomar outros ares. Adorava a casa e imaginava como seria a vida da senhora.
Chegou o verão e, com ele, minhas férias. A rua Aurora fazia parte somente do trajeto de minha casa ao trabalho. Fiquei vinte dias sem passar por lá. Na verdade, o que os olhos não viram o coração não sentiu. Confesso não ter sentido saudade das imaginações matutinas sobre a construção de tijolos vermelhos e a senhora que saía, quase sempre, com a bolsa de mercado, listrada de azul e verde. Aproveitei minha folga merecida. E dei férias para a senhora, cujo nome não sabia - quem sabe um dia eu descobriria?
Em dois de fevereiro, chegou o dia de voltar ao trabalho. Ao virar a esquina e entrar na rua Aurora, vi uma caçamba cheia de entulhos em frente ao número 81 - esse era o número da casa da velhinha. Ela havia começado uma reforma, concluí. Mas que pena seria se ela destruísse a fachada, tão única, com seus ares britânicos. Avançando, meus olhos não acreditavam no que viam. A casa toda demolida não demonstrava mais nada do que havia sido em começo de janeiro. Pensei em pedir informação para um dos trabalhadores da obra, mas a confusão em minha mente foi tão grande, o soco no estômago foi tão intenso e a boca secou de maneira tão rápida, que decidi seguir viagem, com a desordem mais profunda que já experimentei nesses meus trinta anos. Poeira. Tijolos vermelhos amontoados em uma caçamba. E a querida senhora, com a bolsa de mercado listrada? Nem sei como cheguei ao trabalho naquele dia. Porque não me lembro de quase nada do restante do trajeto até a empresa.
***
Com 86 anos, dona Idalina da Costa era uma professora aposentada, que herdara do marido falecido, ferroviário, uma casa na rua Aurora, número 81. Queria muito ter tido três filhos, mas nunca conseguira engravidar. Ela e o marido viveram um casamento calmo de 52 anos. Depois disso, enfrentou a vida, só em uma casa com três quartos, um banheiro, uma sala grande e uma cozinha que ela adorava.
Dona Idalina enfrentou a viuvez com galhardia. Nunca ninguém a via chorar ou reclamar da vida. Tinha grande amizade com os vizinhos, mas eles se mudaram ou faleceram, até suas casas serem sepultadas por prédios enormes, cheio de moradores que ele nunca conhecera. Tinha dois sobrinhos que moravam fora da cidade e que ligavam de vez em quando. Sua vida era cuidar de flores e da horta do pequeno quintal nos fundos e deixar a televisão antiga ligada, para não se sentir tão sozinha.
Com o passar da idade, dona Idalina passou a ter fortes problemas nas costas e incômodo insistente em um dos rins. Não queria saber de médico, inventando exames e internações. Assim, passou um dia na farmácia e comprou uma bengala, para poder ir com mais segurança ao mercado ou a outro lugar próximo da rua Aurora. Dona Idalina não era de nostalgias. Não gostava de ficar remoendo o passado e sempre ia para a cozinha inventar alguma receita. Levava algumas porções do que fazia para a querida Jaqueline, menina loira que trabalhava no caixa do mercado. Seus sobrinhos quase nunca a visitavam.
Em uma manhã de junho, com o tempo nublado, dona Idalina pensou em seu futuro, tão sozinha naquela casa. Decidiu, então, colocá-la à venda. Publicou um anúncio no jornal - Jaqueline a ajudara a fazer isso - e colocou um cartaz também na entrada do mercado do bairro. Não cobraria muito pelo imóvel. Depois de vendê-lo, doaria parte do dinheiro ao asilo de idosos da cidade, outra parte seria dividida entre os dois sobrinhos - pouca coisa, porque eles nem a visitavam direito - e outra parte iria para Jaqueline.
Passou-se quase um ano até que alguém se interessou, de verdade, pela casa pequena da rua Aurora. Paciente, dona Idalina não se preocupou nem um instante com a possibilidade de não vender o imóvel. Deus sabia de seu futuro.
***
Cláudio era um homem acima do peso, com óculos de armação prateada. Tinha uma voz calma e agradável. Havia acabado de se aposentar do banco. Morava a duas ruas do endereço de dona Idalina. Um dia, ao entrar no mercado, viu o anúncio, já um pouco amarelado, da casa à venda na rua Aurora. Ligou para o número de telefone anunciado no cartaz e a voz de dona Idalina apareceu do outro lado, depois de cinco chamadas. Combinaram o horário para que ele visitasse o imóvel. Seria na manhã seguinte.
Debaixo de uma chuva fina e insistente, Cláudio passou pelo portão baixo de ferro e tocou a campainha da casa. Esperou impaciente, debaixo do guarda-chuva, até que a porta se abriu depois seis minutos de espera. Dona Idalina sorria, enquanto dava passagem para que Cláudio entrasse. Ele não demorou muito lá dentro. Disse ter gostado do imóvel. A localização era muito boa e o preço melhor ainda. Mas o que Cláudio não imaginava era a condição que a senhora lhe imporia, caso ele comprasse a casa. Ele teria que pagar todo o valor a ela, sem parcelamentos, e só poderia ficar com a casa depois de que ela falecesse. Durante esse tempo, a contar da transferência do imóvel, ela pagaria aluguel a ele - o valor fora estipulado por ela. E mais. Ele não poderia demoli-lo para fazer dele um prédio, repetindo o que havia acontecido com as casas vizinhas.
Cláudio ouviu a condição estupefato. Pensava em adquirir a casa e colocar em prática, sem demora, os planos que tinha. Olhava atentamente nos olhos de dona Idalina, que havia deixado a bengala recostada ao lado da poltrona da sala. Lembrou-se de sua própria mãe, já falecida. Um turbilhão de memórias. Dona Idalina não era nostálgica, mas Cláudio sim. Em um mundo de tantas ironias e esquisitices, que diferença faria se ele pagasse o imóvel e não ficasse com ele imediatamente? Mas Cláudio também impôs sua condição, a que eles colocassem tudo isso no papel, que seria assinado por ambos. O documento seria acertado somente entre eles, de uma maneira informal, mas com muita seriedade.
Dias depois, estava tudo feito. Documento assinado e valor transferido para a conta bancária de dona Idalina. Logo depois, ela dividiu todo o dinheiro, como havia planejado, ficando com uma minúscula parte, que a ajudaria a pagar o aluguel. Uma grande maluquice era aquilo tudo. Mas na idade dela, isso não importava.
***
Dois anos depois, em uma tarde muito fria de fim de julho, Cláudio recebeu um telefonema. Sua inquilina da rua Aurora, número 81, havia sido encontrada morta em casa. Os vizinhos da frente desconfiaram da casa vazia por muitos dias. Chamaram a emergência, arrombaram a porta e encontraram dona Idalina caída na cozinha.
Os dois sobrinhos foram avisados e apenas um deles veio de longe para o enterro. Jaqueline ficou inconsolável e seria eternamente grata à generosidade infinita de dona Idalina. Cláudio também compareceu ao funeral.
No dia seguinte, ele tirou da gaveta o contrato informal que havia firmado com dona Idalina. Com sua morte, a casa era definitivamente dele. Ela não atrasara nenhum dia de aluguel. E ele esperara pacientemente o tempo em que o imóvel seria dele, de fato.
Semanas depois, a casa seria derrubada. Cláudio queimou o contrato, que ninguém nunca vira nem lera. Quando a última parede de tijolos vermelhos foi derrubada, ele estava presente. Um mal estar o acompanhava desde a manhã, e decidiu ir para casa. Pensaria em dona Idalina por muitos dias. Talvez meses. Quem sabe anos. Mas, agora, a casa era somente escombros.
***
Meu caminho para o trabalho ficou tão vazio depois que vi a casa de fachada inglesa toda moída dentro de uma caçamba. Não vi mais a senhora pelas redondezas. Nunca soube o nome dela. No lugar, ergueram um prédio enorme, que nem imaginava caber num terreno tão pequeno. Casas bonitas e elegantes como aquela já não existem mais. Fiquei pensando nisso tudo por tanto tempo que tomei a decisão de ir ao mercado da esquina perguntar pela senhora de cabelos brancos. Devia ser lá onde ela fazia suas compras. Apoiando-se em uma bengala, ninguém consegue ir muito longe. Quero descobrir onde está morando a senhora, cujo nome ainda não sei, mas saberei. Vou perguntar tudo sobre ela. Deveria ter feito isso antes, quando ela saía de casa, com sua sacola listrada de azul e verde. Tenho certeza que amarei sua história. A história de uma vida inteira de quem morou na rua Aurora, número 81.
Todos os dias, em minha caminhada ao trabalho, a pequena casa reluzia em dias ensolarados ou parecia mais aconchegante do que nunca em dias nublados ou chuvosos. Uma joia delicada em meio ao urbanismo seco e crescente. Sempre imaginava o que havia depois das cortinas marfim. Até que, em um dia muito quente de primavera, avistei uma senhora, de cabelos brancos e se apoiando em uma bengala, saindo para a rua, com uma bolsa de mercado. Diminuí meus passos para observá-la, enquanto ela fechava o portão baixo, em ferro batido, com toda a tranquilidade que uma manhã de primavera exige.
A partir disso, eu conhecia a moradora da casa mais bonita da rua Aurora. Uma senhora cuja a aparência combinava perfeitamente com a construção. Um encaixe perfeito na minha imaginação. Não era sempre que via a senhora na janela ou saindo de casa. Esse tipo de cena acontecia uma vez no mês, ou nem isso. Talvez ela tivesse problemas sérios de saúde - concluía pelo uso da bengala. E minha imaginação, ou curiosidade, passou a tomar outros ares. Adorava a casa e imaginava como seria a vida da senhora.
Chegou o verão e, com ele, minhas férias. A rua Aurora fazia parte somente do trajeto de minha casa ao trabalho. Fiquei vinte dias sem passar por lá. Na verdade, o que os olhos não viram o coração não sentiu. Confesso não ter sentido saudade das imaginações matutinas sobre a construção de tijolos vermelhos e a senhora que saía, quase sempre, com a bolsa de mercado, listrada de azul e verde. Aproveitei minha folga merecida. E dei férias para a senhora, cujo nome não sabia - quem sabe um dia eu descobriria?
Em dois de fevereiro, chegou o dia de voltar ao trabalho. Ao virar a esquina e entrar na rua Aurora, vi uma caçamba cheia de entulhos em frente ao número 81 - esse era o número da casa da velhinha. Ela havia começado uma reforma, concluí. Mas que pena seria se ela destruísse a fachada, tão única, com seus ares britânicos. Avançando, meus olhos não acreditavam no que viam. A casa toda demolida não demonstrava mais nada do que havia sido em começo de janeiro. Pensei em pedir informação para um dos trabalhadores da obra, mas a confusão em minha mente foi tão grande, o soco no estômago foi tão intenso e a boca secou de maneira tão rápida, que decidi seguir viagem, com a desordem mais profunda que já experimentei nesses meus trinta anos. Poeira. Tijolos vermelhos amontoados em uma caçamba. E a querida senhora, com a bolsa de mercado listrada? Nem sei como cheguei ao trabalho naquele dia. Porque não me lembro de quase nada do restante do trajeto até a empresa.
***
Com 86 anos, dona Idalina da Costa era uma professora aposentada, que herdara do marido falecido, ferroviário, uma casa na rua Aurora, número 81. Queria muito ter tido três filhos, mas nunca conseguira engravidar. Ela e o marido viveram um casamento calmo de 52 anos. Depois disso, enfrentou a vida, só em uma casa com três quartos, um banheiro, uma sala grande e uma cozinha que ela adorava.
Dona Idalina enfrentou a viuvez com galhardia. Nunca ninguém a via chorar ou reclamar da vida. Tinha grande amizade com os vizinhos, mas eles se mudaram ou faleceram, até suas casas serem sepultadas por prédios enormes, cheio de moradores que ele nunca conhecera. Tinha dois sobrinhos que moravam fora da cidade e que ligavam de vez em quando. Sua vida era cuidar de flores e da horta do pequeno quintal nos fundos e deixar a televisão antiga ligada, para não se sentir tão sozinha.
Com o passar da idade, dona Idalina passou a ter fortes problemas nas costas e incômodo insistente em um dos rins. Não queria saber de médico, inventando exames e internações. Assim, passou um dia na farmácia e comprou uma bengala, para poder ir com mais segurança ao mercado ou a outro lugar próximo da rua Aurora. Dona Idalina não era de nostalgias. Não gostava de ficar remoendo o passado e sempre ia para a cozinha inventar alguma receita. Levava algumas porções do que fazia para a querida Jaqueline, menina loira que trabalhava no caixa do mercado. Seus sobrinhos quase nunca a visitavam.
Em uma manhã de junho, com o tempo nublado, dona Idalina pensou em seu futuro, tão sozinha naquela casa. Decidiu, então, colocá-la à venda. Publicou um anúncio no jornal - Jaqueline a ajudara a fazer isso - e colocou um cartaz também na entrada do mercado do bairro. Não cobraria muito pelo imóvel. Depois de vendê-lo, doaria parte do dinheiro ao asilo de idosos da cidade, outra parte seria dividida entre os dois sobrinhos - pouca coisa, porque eles nem a visitavam direito - e outra parte iria para Jaqueline.
Passou-se quase um ano até que alguém se interessou, de verdade, pela casa pequena da rua Aurora. Paciente, dona Idalina não se preocupou nem um instante com a possibilidade de não vender o imóvel. Deus sabia de seu futuro.
***
Cláudio era um homem acima do peso, com óculos de armação prateada. Tinha uma voz calma e agradável. Havia acabado de se aposentar do banco. Morava a duas ruas do endereço de dona Idalina. Um dia, ao entrar no mercado, viu o anúncio, já um pouco amarelado, da casa à venda na rua Aurora. Ligou para o número de telefone anunciado no cartaz e a voz de dona Idalina apareceu do outro lado, depois de cinco chamadas. Combinaram o horário para que ele visitasse o imóvel. Seria na manhã seguinte.
Debaixo de uma chuva fina e insistente, Cláudio passou pelo portão baixo de ferro e tocou a campainha da casa. Esperou impaciente, debaixo do guarda-chuva, até que a porta se abriu depois seis minutos de espera. Dona Idalina sorria, enquanto dava passagem para que Cláudio entrasse. Ele não demorou muito lá dentro. Disse ter gostado do imóvel. A localização era muito boa e o preço melhor ainda. Mas o que Cláudio não imaginava era a condição que a senhora lhe imporia, caso ele comprasse a casa. Ele teria que pagar todo o valor a ela, sem parcelamentos, e só poderia ficar com a casa depois de que ela falecesse. Durante esse tempo, a contar da transferência do imóvel, ela pagaria aluguel a ele - o valor fora estipulado por ela. E mais. Ele não poderia demoli-lo para fazer dele um prédio, repetindo o que havia acontecido com as casas vizinhas.
Cláudio ouviu a condição estupefato. Pensava em adquirir a casa e colocar em prática, sem demora, os planos que tinha. Olhava atentamente nos olhos de dona Idalina, que havia deixado a bengala recostada ao lado da poltrona da sala. Lembrou-se de sua própria mãe, já falecida. Um turbilhão de memórias. Dona Idalina não era nostálgica, mas Cláudio sim. Em um mundo de tantas ironias e esquisitices, que diferença faria se ele pagasse o imóvel e não ficasse com ele imediatamente? Mas Cláudio também impôs sua condição, a que eles colocassem tudo isso no papel, que seria assinado por ambos. O documento seria acertado somente entre eles, de uma maneira informal, mas com muita seriedade.
Dias depois, estava tudo feito. Documento assinado e valor transferido para a conta bancária de dona Idalina. Logo depois, ela dividiu todo o dinheiro, como havia planejado, ficando com uma minúscula parte, que a ajudaria a pagar o aluguel. Uma grande maluquice era aquilo tudo. Mas na idade dela, isso não importava.
***
Dois anos depois, em uma tarde muito fria de fim de julho, Cláudio recebeu um telefonema. Sua inquilina da rua Aurora, número 81, havia sido encontrada morta em casa. Os vizinhos da frente desconfiaram da casa vazia por muitos dias. Chamaram a emergência, arrombaram a porta e encontraram dona Idalina caída na cozinha.
Os dois sobrinhos foram avisados e apenas um deles veio de longe para o enterro. Jaqueline ficou inconsolável e seria eternamente grata à generosidade infinita de dona Idalina. Cláudio também compareceu ao funeral.
No dia seguinte, ele tirou da gaveta o contrato informal que havia firmado com dona Idalina. Com sua morte, a casa era definitivamente dele. Ela não atrasara nenhum dia de aluguel. E ele esperara pacientemente o tempo em que o imóvel seria dele, de fato.
Semanas depois, a casa seria derrubada. Cláudio queimou o contrato, que ninguém nunca vira nem lera. Quando a última parede de tijolos vermelhos foi derrubada, ele estava presente. Um mal estar o acompanhava desde a manhã, e decidiu ir para casa. Pensaria em dona Idalina por muitos dias. Talvez meses. Quem sabe anos. Mas, agora, a casa era somente escombros.
***
Meu caminho para o trabalho ficou tão vazio depois que vi a casa de fachada inglesa toda moída dentro de uma caçamba. Não vi mais a senhora pelas redondezas. Nunca soube o nome dela. No lugar, ergueram um prédio enorme, que nem imaginava caber num terreno tão pequeno. Casas bonitas e elegantes como aquela já não existem mais. Fiquei pensando nisso tudo por tanto tempo que tomei a decisão de ir ao mercado da esquina perguntar pela senhora de cabelos brancos. Devia ser lá onde ela fazia suas compras. Apoiando-se em uma bengala, ninguém consegue ir muito longe. Quero descobrir onde está morando a senhora, cujo nome ainda não sei, mas saberei. Vou perguntar tudo sobre ela. Deveria ter feito isso antes, quando ela saía de casa, com sua sacola listrada de azul e verde. Tenho certeza que amarei sua história. A história de uma vida inteira de quem morou na rua Aurora, número 81.
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