Quando criança, Lelinha acompanhava sua mãe em todos os lugares. Era um tempo em que samambaias estavam na moda, plantadas em vasos de xaxins, hoje em extinção. E, em toda floricultura, os xaxins eram amontoados em pilhas. Na cidade onde Lelinha vivia, só havia uma floricultura. Um espaço enorme, com chão de cimento cru e paredes mal caiadas. Muitas mudas de roseira dentro de saquinhos plásticos de leite. Vasinhos pretos com violetas roxas, frescas. Sacos de húmus. Pequenas ferramentas de jardim. E mais xaxins, alguns com formato de simpáticas casinhas, onde você podia plantar sementinhas, como as de alpiste, e brincar de ver crescer folhinhas e podar aos poucos.
No teto, vasos pendurados por correntes finas. Samambaias, com seus xaxins, enormes, com folhagens que quase tocavam o chão. Nas paredes, mais plantas, com ou sem flores, com ou sem folhagens exuberantes. Lelinha não sabia bem quais eram todas as flores, somente violeta, rosa e margarida. Orquídea era raridade cara, assim como azaleia. Mas outra planta da moda, além das samambaias, que ocupam espaço e bebem muita água, era o antúrio. Flores vermelhas exóticas e chamativas. Essas Lelinha conhecia bem.
Sua mãe visitava quase toda a semana a floricultura da cidade. Uma senhora simpática, de uns cinquenta anos, muito magrinha e com suas infinitas blusas estilo cacharrel, atendia a mãe de Lelinha impreterivelmente com um sorriso no rosto. Sua mãe sempre perguntava sobre uma muda de planta de nunca chegava, sobre um suporte de metal para vasos que nunca tinha ou sobre cores de rosas que ainda não havia na cidade pequena. Lelinha acredita que sua mãe queria mesmo era entrar ali só para ver plantinhas lindas, com florezinhas frescas.
Antigamente, as floriculturas cheiravam a mato, a flores, à terra molhada. Lelinha mal frequenta floriculturas, hoje três em sua cidade. Não tem jeito com plantas, que murcham logo nos vasinhos pequenos sem graça. Aprendeu outros nomes, como begônias e petúnias. Mas, francamente, não se importa com isso. Somente com as memórias de ir a um galpão em uma rua estreita, com roseiras no portão de entrada, com o chão de cimento sempre úmido e com folhas verdes que desciam majestosas pelo teto.
No teto, vasos pendurados por correntes finas. Samambaias, com seus xaxins, enormes, com folhagens que quase tocavam o chão. Nas paredes, mais plantas, com ou sem flores, com ou sem folhagens exuberantes. Lelinha não sabia bem quais eram todas as flores, somente violeta, rosa e margarida. Orquídea era raridade cara, assim como azaleia. Mas outra planta da moda, além das samambaias, que ocupam espaço e bebem muita água, era o antúrio. Flores vermelhas exóticas e chamativas. Essas Lelinha conhecia bem.
Sua mãe visitava quase toda a semana a floricultura da cidade. Uma senhora simpática, de uns cinquenta anos, muito magrinha e com suas infinitas blusas estilo cacharrel, atendia a mãe de Lelinha impreterivelmente com um sorriso no rosto. Sua mãe sempre perguntava sobre uma muda de planta de nunca chegava, sobre um suporte de metal para vasos que nunca tinha ou sobre cores de rosas que ainda não havia na cidade pequena. Lelinha acredita que sua mãe queria mesmo era entrar ali só para ver plantinhas lindas, com florezinhas frescas.
Antigamente, as floriculturas cheiravam a mato, a flores, à terra molhada. Lelinha mal frequenta floriculturas, hoje três em sua cidade. Não tem jeito com plantas, que murcham logo nos vasinhos pequenos sem graça. Aprendeu outros nomes, como begônias e petúnias. Mas, francamente, não se importa com isso. Somente com as memórias de ir a um galpão em uma rua estreita, com roseiras no portão de entrada, com o chão de cimento sempre úmido e com folhas verdes que desciam majestosas pelo teto.
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