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Muro

Entre a contemporaneidade 
De buracos e absurdos
Conversas tolas por cima do muro
Fizeram-me lembrar de você 
Com sua alma sempre certinha
A fala mansinha que dizia que estrelas eram sagradas
E eu sempre gostando das estrelas que caem
Que se esfolam agudas e que se apagam
No chão
Tudo em você sempre tão mar aberto, tão encorajado
Daqui do meu lado
Do muro
Tudo tão aguado, aquarelado, esboçado, com medo, muito medo
Entre a contemporaneidade
E esse gigante muro de berlim
Nossas palavras pulavam o concreto 
Em pingue pongue interminável 
Paredes me fizeram lembrar de você
De largar a costa mansa rumo ao mar azul lindo
Só lembranças
Conversas tolas por cima do muro
Com o vizinho que sempre oferece ameixas corroídas
Pelo tempo, pelo terrível, pelo vazio
Pelos morcegos.

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