Lá estava o senhor, sentando na varanda da casa de repouso, em uma velha cadeira, preocupado com duas toalhas pequenas que secavam na grade que cercava o espaço. Em um banco, mais à esquerda, outro senhor encolhido escutava bolero, vindo de um mini system das antigas. Eles congelavam na sombra, enquanto eu, visitante rápida do espaço, esquentava meu moletom vermelho, sentada em um banco de concreto no pátio, debaixo de um magro sol de junho.
O senhor, de olho nas toalhas, tinha o braço esquerdo esquecido, pendurado no corpo. Arrastava a perna esquerda também ao andar. Metade do corpo paralisada o fazia se mexer em passos minúsculos para conferir se as toalhinhas estavam secas. Ajeitou a calça de tactel verde e se sentou. Puxou o braço esquerdo, com a mão direita, para frente da barriga e verificou as horas, devolvendo o braço para a posição caída, como se fosse de cera. Segundos depois, também conferi o meu, mas sem movimentos lentos. Eram três e trinta e cinco da tarde, dentro de um fim de outono de céu azul e temperatura baixa. Compactuamos a mesma hora, sentido-me parte do mesmo universo que o dele. O bolero cedera espaço para músicas dos ditos anos dourados. Calculei a idade dos dois, talvez uns oitenta. Seriam jovens na década de 50. Teriam dançado essas mesmas músicas com os grandes amores de suas vidas? O que estava próximo à caixinha de som não movia um músculo. De boina cinza, blusa marrom e calça preta, estava sentado de pernas cruzadas, encolhido nos pensamentos, nas memórias, imaginei, que a música podia dar.
Vez ou outra, um senhor de chapéu bege, de bengala, chegava à porta de saída do asilo com dificuldade, olhava rapidamente para fora, desistia de por o pé na varanda e entrava. Fez isso, na verdade, três vezes em um intervalo de meia hora. Meu moletom esquentou demais e mudei para o banco da sombra. O senhor da calça tactel conferiu, mais uma vez, a umidade das toalhas pequenas, uma amarela e outra verde, bem desbotadas. O da música estava inerte. Os clássicos continuavam tocando. O de chapéu cinza não vinha para fora. Levantei do banco, encontrei meus companheiros de visita à casa de repouso e fomos embora, caminhando lentamente rua afora. Em pouco tempo, o sol se foi e o frio de chegada de inverno apareceu. As toalhinhas secaram? As músicas continuaram? O velhinho saiu para a varanda? Deitaram todos bem cedo? Cobriram-se com quais cobertores? De que cor? Sonharam? Sim ou não e com o quê? Com a juventude? Com os parentes que não aparecem? Com os amores perdidos? Com a saudade da infância? Com a mobilidade total do corpo? Em casa, olhei o relógio, sem movimentos lentos, sem segurar o braço esquerdo com a mão direita, e eram onze e cinquenta da noite. Não compactuei essa hora com ninguém. Fazia quinze graus de frio de chegada de inverno.
O senhor, de olho nas toalhas, tinha o braço esquerdo esquecido, pendurado no corpo. Arrastava a perna esquerda também ao andar. Metade do corpo paralisada o fazia se mexer em passos minúsculos para conferir se as toalhinhas estavam secas. Ajeitou a calça de tactel verde e se sentou. Puxou o braço esquerdo, com a mão direita, para frente da barriga e verificou as horas, devolvendo o braço para a posição caída, como se fosse de cera. Segundos depois, também conferi o meu, mas sem movimentos lentos. Eram três e trinta e cinco da tarde, dentro de um fim de outono de céu azul e temperatura baixa. Compactuamos a mesma hora, sentido-me parte do mesmo universo que o dele. O bolero cedera espaço para músicas dos ditos anos dourados. Calculei a idade dos dois, talvez uns oitenta. Seriam jovens na década de 50. Teriam dançado essas mesmas músicas com os grandes amores de suas vidas? O que estava próximo à caixinha de som não movia um músculo. De boina cinza, blusa marrom e calça preta, estava sentado de pernas cruzadas, encolhido nos pensamentos, nas memórias, imaginei, que a música podia dar.
Vez ou outra, um senhor de chapéu bege, de bengala, chegava à porta de saída do asilo com dificuldade, olhava rapidamente para fora, desistia de por o pé na varanda e entrava. Fez isso, na verdade, três vezes em um intervalo de meia hora. Meu moletom esquentou demais e mudei para o banco da sombra. O senhor da calça tactel conferiu, mais uma vez, a umidade das toalhas pequenas, uma amarela e outra verde, bem desbotadas. O da música estava inerte. Os clássicos continuavam tocando. O de chapéu cinza não vinha para fora. Levantei do banco, encontrei meus companheiros de visita à casa de repouso e fomos embora, caminhando lentamente rua afora. Em pouco tempo, o sol se foi e o frio de chegada de inverno apareceu. As toalhinhas secaram? As músicas continuaram? O velhinho saiu para a varanda? Deitaram todos bem cedo? Cobriram-se com quais cobertores? De que cor? Sonharam? Sim ou não e com o quê? Com a juventude? Com os parentes que não aparecem? Com os amores perdidos? Com a saudade da infância? Com a mobilidade total do corpo? Em casa, olhei o relógio, sem movimentos lentos, sem segurar o braço esquerdo com a mão direita, e eram onze e cinquenta da noite. Não compactuei essa hora com ninguém. Fazia quinze graus de frio de chegada de inverno.
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