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O farol

O farol estava bem longe ainda, mas a caminhada estava tão leve. O vento no rosto era refrescante e contínuo. Estávamos tão felizes. Dora, Ernesto, Anastácio e eu. Tudo perfeito e tão verde à nossa volta. Nossas vozes se misturavam às risadas, nossos corações se misturavam à paisagem. De vez em quando eu ficava um pouco atrás deles, desacelerando meus passos. Pensava sobre a vida de cada um. Cada agrura que cada um enfrentou. Mas, naquele momento, só queríamos conhecer o farol. Antigo, desativado, imenso à beira de um mar com águas sempre escuras. Talvez, ver o farol nem importasse tanto. O que queríamos mesmo era estar juntos e contentes. Faltava mais meia hora para chegarmos à estrada que nos ligaria definitivamente ao velho farol. Dora quis sentar em uma pedra grande para descansar. Bebemos água de nossas garrafas. Anastácio era o único que levava um cantil, tão antigo como o farol. O sol do fim da manhã era claro e quente. Mesmo estando tão perto, não avistávamos as luzes apagadas do sinaleiro. Tudo em volta tão verde e fresco. A caminhada já estava valendo a pena, mesmo que estivéssemos na estrada errada. 

Ernesto foi o primeiro a dizer que o farol talvez fosse uma mentira. Saímos de casa, com nossos mapas, garrafas de água, chapéus, frutas e sanduíches de atum, acreditando que o velho farol estaria na ponta das pedras, mirando o mar escuro e barulhento. Houve silêncio na caminhada. Tudo tão lindo à nossa volta com um céu azul perfeito sobre nós. Dora recomeçou a conversa. Em menos de dez minutos, todos já estavam sorrindo. Não sabíamos nada sobre o farol. Nem se ele estava mirando o mar escuro naquele dia.

Na verdade, o farol não importava. O que queríamos era estar juntos e contentes. 

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