" (...) Os cabelos dela eram incríveis. Loiros e ondulados, reluzindo a luz do sol. Casca de carambola doce. Boca de lábios grossos que pediam atenção. Olhos pretos vívidos. Seu rosto pedia insistentemente uma puxada de cadeira e horas de conversa sobre o tudo ou sobre o nada. Porque vê-la falando e gesticulando com as mãos de dedos pontudos era um espetáculo mais atraente do que qualquer pôr-do-sol, do que qualquer barulho de cachoeira imensa, do que qualquer jogada fatal no fim do jogo de cartas. Corpulenta e açucarada. Perfumada de flor. Estava sozinha no balcão do bar pequeno na esquina da rua principal. De frente única azul e saia jeans um pouco acima do joelho. Seus joelhos eram morenos e redondos. Ele, de cabelos pretíssimos, sentiu que devia arriscar uma pergunta. Uma pergunta que servisse de ponte e a levasse para seu lago experiente, quase cinquentando. Quando o viu, grudou suas jabuticabas oculares nos olhos deles. Aproximou-se e perguntou o nome dela. Angélica. Combin...
O improvável sorri com dentes de hiena. Bem-vindo(a).