Deixe seu Setembrino ser o que é, ora. Tanta gente implicando com o pobre do homem. Deixe ele considerar o que ele quiser como importante na vidinha dele. Vamos deixar o ranzinza em paz, em sua cor cinza, com seu arco-íris monocromático, com suas unhas sem cortar e a careca aumentando a cada dia. Nascido em setembro, seu Setembrino, filho de Virgulino e Maria Amélia. Tão linda que era e pariu um menino tão feio, o Setembrino do dia 8, já que no feriado era seu Virgulino quem completava a primavera. Primavera de feiura já formada no ventre da avó de Setembrino. A feiura ficou hereditária. Feiura combina com homem. E rabugice também. O chapéu já saiu de moda, mas seu Setembrino, homem lá de 1939, quer usá-lo em dia de inverno.
Que inferno, ora! Deixe seu Setembrino comer pudim depois do café quente. Seu intestino é de aço. Que pena que todas as partes de seu corpo não são. Do ouvido direito escuta muito pouco e do rim esquerdo já não pode se esperar muito. Seria bom se seu Setembrino deixasse a tosse de lado e vivesse mais um pouco. O túmulo de três gavetas já pago pode ficar lá mais um tempo criando lodo. Ninguém quer ouvir o caixão raspando o chão de concreto da gaveta no momento derradeiro e lacrimoso da despedida.
Porque é sempre assim, quanto mais rabugento seu Setembrino é, mais seus poucos amigos restantes e familiares reclamões e impacientes o querem por perto. Seu Setembrino tem a chave de muitas respostas. Antes de nascer pegou a chave de São Pedro e fez a cópia numa barra de sabão. Assim dizem aqueles que ainda cuidam do velho rabugento que deixa arroto escapar justo na hora de visita importante. Aliás, seu Setembrino odeia visitas, as que ligam avisando que vão ou as que metem a cara em sua humilde residência sem a educação da notícia prévia.
Seu Setembrino não elogia roupa de ninguém, relógio de ninguém, sapato de ninguém. Acha casos de viagens feitas um saco. Acha que toda história contada é mentira e que todo conto de lobisomem bem que podia ser verdade. A única coisa que seu Setembrino gosta e faz cara de sorriso esboçado pra lá dos três quilômetros de distância é tomar o chá das quatro da tarde ao lado de seu gato preto Gigi. Gigi é a única companhia agradável para seu Setembrino, que o acaricia com suas mãos trêmulas e de veias saltadas. Pena que ele não saiba jogar xadrez já que patas de gato não têm habilidade para mover as peças.
Reclama de banho, assim como o Gigi, não joga xadrez, assim como o Gigi, não gosta de ouvir casos longos e chatos, assim como o Gigi, detesta sapatos novos, assim como o Gigi, tem aversão a ser contrariado, assim como o Gigi. Gato preto, homem branco, encurvado sobre uma velha bengala. Queremos seu Setembrino completando muitos setembros em sua vida miúda de velho rabugento.
Vamos fechar a porta com cuidado. Hoje seu Setembrino não acordou muito bem. Bem que Gigi estranhou a falta da mão trêmula sobre seu pelo negro. Não haverá chá das quatro, nem casos longos das visitas. Os rostos dos parentes mostram traços graves. Gigi já foi acender uma vela e fazer suas orações.
Seu Setembrino, nascido em setembro, depois de dezenas de setembro, deixa-nos em setembro.
Deixe seu Setembrino ser rabugento!
Que inferno, ora! Deixe seu Setembrino comer pudim depois do café quente. Seu intestino é de aço. Que pena que todas as partes de seu corpo não são. Do ouvido direito escuta muito pouco e do rim esquerdo já não pode se esperar muito. Seria bom se seu Setembrino deixasse a tosse de lado e vivesse mais um pouco. O túmulo de três gavetas já pago pode ficar lá mais um tempo criando lodo. Ninguém quer ouvir o caixão raspando o chão de concreto da gaveta no momento derradeiro e lacrimoso da despedida.
Porque é sempre assim, quanto mais rabugento seu Setembrino é, mais seus poucos amigos restantes e familiares reclamões e impacientes o querem por perto. Seu Setembrino tem a chave de muitas respostas. Antes de nascer pegou a chave de São Pedro e fez a cópia numa barra de sabão. Assim dizem aqueles que ainda cuidam do velho rabugento que deixa arroto escapar justo na hora de visita importante. Aliás, seu Setembrino odeia visitas, as que ligam avisando que vão ou as que metem a cara em sua humilde residência sem a educação da notícia prévia.
Seu Setembrino não elogia roupa de ninguém, relógio de ninguém, sapato de ninguém. Acha casos de viagens feitas um saco. Acha que toda história contada é mentira e que todo conto de lobisomem bem que podia ser verdade. A única coisa que seu Setembrino gosta e faz cara de sorriso esboçado pra lá dos três quilômetros de distância é tomar o chá das quatro da tarde ao lado de seu gato preto Gigi. Gigi é a única companhia agradável para seu Setembrino, que o acaricia com suas mãos trêmulas e de veias saltadas. Pena que ele não saiba jogar xadrez já que patas de gato não têm habilidade para mover as peças.
Reclama de banho, assim como o Gigi, não joga xadrez, assim como o Gigi, não gosta de ouvir casos longos e chatos, assim como o Gigi, detesta sapatos novos, assim como o Gigi, tem aversão a ser contrariado, assim como o Gigi. Gato preto, homem branco, encurvado sobre uma velha bengala. Queremos seu Setembrino completando muitos setembros em sua vida miúda de velho rabugento.
Vamos fechar a porta com cuidado. Hoje seu Setembrino não acordou muito bem. Bem que Gigi estranhou a falta da mão trêmula sobre seu pelo negro. Não haverá chá das quatro, nem casos longos das visitas. Os rostos dos parentes mostram traços graves. Gigi já foi acender uma vela e fazer suas orações.
Seu Setembrino, nascido em setembro, depois de dezenas de setembro, deixa-nos em setembro.
Deixe seu Setembrino ser rabugento!
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