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Sete montanhas chorarão

Já era noite no alto da montanha mais escura e ninguém escutaria vindo de lá o eco mais alto e mais absurdo produzido na face da terra. Daqui de longe sei que Laura está lá, acampada no meio da mata, ruminando pensamentos e comendo folhas saudáveis. Não suporta a humanidade e se refugia, como cães em foguetório. Nada a tirará da montanha enegrecida até que a poeira vinda daqui onde estou desça ao solo por completo.
Laura sempre consegue fugir no meio da hora precisa. A discussão estava no auge. Precisávamos de sua opinião, e ela sempre frágil e de coração banguela esboça choro e ameaça surto. Refugia-se em diferentes montanhas enegrecidas para nunca ser encontrada por dias. Passa as horas lendo livros estranhos e come folhas e  cenouras cruas feito coelho do mato. Mas desta vez persegui Laura e descobri em que montanha ela está. Não é a primeira vez que sigo seus passos. Ela fica em média seis dias na mata fechada e faz isso sempre revezando sete montanhas, que ficam próximas da cidade. Nada de comunicações. Laura se fecha em seu labirinto ou poço e sai de lá quando todos já esqueceram seu nome.
Não sei por que insiste em participar de nossas reuniões. Tem medo sempre do que o outro possa pensar dela. Laura é inteligente, alta e de cabelos curtos. Sabe falar muito bem, com um tom de voz perfeito. Mas não se expressa. Tem medo. E é um mistério deliciosamente investigável. Por isso a observo. Sei em que montanha está, mas não me atrevo.
O charme de Laura é se esconder. Quem sabe procurando muito pelo o que ela sente o encanto se acabe? Sei que hoje ela dormirá só na montanha enegrecida depois de comer folhas e de ler seus livros estranhos. Acordará cedo e descerá para a realidade para participar de nosso encontro de amanhã. Vou parar de seguir Laura. Vou tentar prendê-la em meu alçapão daqui em diante. Se conseguir, sete montanhas chorarão e mais um rio nascerá na face da terra.

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