Pular para o conteúdo principal

Inverno

Eu prometi cheirar o jasmim
Espalhado, todo lilás
Bem lá no meio do jardim
Quando há névoa
Orvalho congelado
Ele sempre sorri para mim
Com um ar misterioso
Exalando perfume inquieto
Roxo
De longe eu prometi
De novo, um dia
Cheirar o jasmim
Com minha xícara apertada entre os dedos
Creio que ele está triste
Folhas, muitas folhas
Inibido entre todas
As terras do jardim
Calou-se o jasmim
Agora é a sua estação
Que jasmim na contramão!
Apareça, era tão certo
Ainda espero por você
Ainda é tão escuro
Ainda é inverno.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sapatos molhados

  Tirou os sapatos molhados e os colocou debaixo cama. O calor dos pesadelos diários os secaria. Talvez um banho quente fizesse diferença. Mas ouvir os trovões que continuavam era um alento. Abafavam os gritos que vinham de dentro. Quando o trem passou cortando a tarde nublada, não imaginava que a tarde seria de tormentas. Molharia os pés ao atravessar a rua. E continuaria com eles molhados até dar o primeiro espirro. E junto com ele a lembrança. Ele a viu na janela em frente ao semáforo enquanto cruzava a via. O olhar dela se desfez para o lado, em fuga. Ainda pensou em esboçar um cumprimento, mas ela foi inteiramente fuga. Rebobinou todos os acontecimentos anteriores dos últimos anos. Conhecera-a na escola. Tinha cabelos longos castanhos e voz um pouco grave, que acrescentava razão a tudo o que dizia. Ele, calado, sempre concordava. Vivia dizendo a ela que um dia correria atrás de um trem para alcançar o último vagão e nele viajar. Ela sorria sem entender as loucuras dele. Eram b...

Mesmíssimo

  Ama-se o domingo de manhã O sol desbotado  O avental verde respingado  Um pouco queimado  Da rotina arrastada Ama-se o tempo repetitivo De cada mesmíssima coisa do primeiro dia Da semana  Domingo Ama-se  O cheiro do limão fresco A folhinha perdida no sábado O avental verde ainda queimado O tempo frio que pede o não fazer nada Ama-se.