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Despedida patética

Ajeitou a presilha no cabelo, colocou uma echarpe verde e saiu. O bar Amores ficava a poucos metros de seu apartamento. Caminhou calmamente pelas ruas, pois estava no horário certo. Entrou no bar, mas a amiga ainda não tinha chegado. Típico de quem se atrasa em todos os encontros. Não pediu nada ao garçom e ficou somente na espera. Quinze minutos se passaram; meia hora se passou. Nada da amiga viciada em atrasos. Ela havia marcado aquele encontro com ares de mistério, pois não queria dizer nada ao telefone.
O bar Amores já estava bem cheio, e ela muito constrangida por estar sozinha, sem consumir nada. Alguns homens, de quando em vez, encaravam-na. Sozinha, ela erguia o pescoço e tentava ver pela vidraça se a amiga estava se aproximando. Acabou por ver outra amiga passando pela calçada. Ansiou para que ela entrasse. Mas o bar Amores não era o seu destino. Enquanto pensava em se levantar, um rapaz de olhos verdes e com ares de timidez, sentou-se em frente a ela. Com um olá rápido, disse que precisava falar algo importante. Assustada, ela se levantou. Ele insistiu, um pouco desconcertado, para que ficasse. Não teve jeito. Com a echarpe caindo dos ombros, ela saiu do bar, sem entender a furada da amiga. Por que não disse logo o que tinha para dizer pelo telefone mesmo?
Ainda na calçada, recebeu olhares de muitos homens estranhos. Ao dobrar a esquina, avistou um grupo de cinco pessoas, que acaba de se despedir de alguém que dirigia um carro. Sim! Aquele era o carro de sua amiga que acabava de partir. Conhecia duas pessoas do grupo e resolveu perguntar a elas se era a Ana mesmo que estava no carro. Responderam que sim. Iria viajar naquela madrugada para o exterior. Sentiriam sua falta.
Despediu-se desolada de seus conhecidos. Ainda os acompanhou pelo olhar até que chegassem ao cruzamento. Lá, encontraram com o rapaz de olhos verdes. O mais alto do grupo perguntou a ele se havia conseguido dar o recado de Ana à sua amiga no bar Amores. Ele fez com a cabeça que não. Sumiram na cidade.
Com o coração partido, ela voltou logo para o apartamento. Chorou por algumas horas, enrolada no cobertor. Estava imensamente triste. Ao amanhecer, a decisão estava tomada. Nada de desistir. Nada de timidez. Ainda era sábado, um ótimo dia do final de semana. À noite, ajeitou a presilha no cabelo e colocou uma echarpe verde. No bar Amores, ela se sentou e pediu uma água com gás. Olhava pela vidraça todos os que passavam pela calçada, procurando um rapaz de olhos verdes, com ares de timidez. Faria isso ainda por muitos finais de semana.

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