Toda
vez que vejo
Uma
locomotiva
Dessas
Bem
antigas
Sinto
um arrepio
No
braço
Imagino
Passageiros
Ligeiros
Com
medo de perder de vista
O
grande bicho de aço
Fumegante
Na
estação de velho telhado
Toda
vez que piso
Numa
estação antiga
Imagino
compromissos
De
tinteiro e mata-borrão
De
quase cem anos
Que
se foram
Vestidos
contidos
Surrados
Ou
farfalhar de saias
Com
chapéus
Colarinhos
Engomados
Meus
antepassados
Falantes
Assopram
no meu ouvido
Tudo
o que sonhavam
Planejavam
Enquanto
a máquina a vapor
Cortava
suave o tempo sobre o trilho
No
tempo que
A
vida era saboreada
Pão
com manteiga na estação
Ou
prato elegante
No
restaurante-vagão.
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