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Oficina de escrita no Sesc Santos Dumont-MG - Poemas!

   Em 11 de novembro deste ano, aconteceu na unidade do Sesc, na cidade onde moro, uma oficina apresentada por mim chamada "Rimando ou não, com Florbela, Gullar e Leminski", com uma parte prática que rendeu muitos poemas! Os alunos aqui em destaque são Marcela Ribeiro, Selma Carvalho e Vinícius Sant'anna. Seus escritos falam sobre o que pensam e sentem; podem ou não ter rima ou título. A manhã de sábado ficou contagiada pela poesia e aqui, em meu blog pessoal, transmito os resultados. Dois poemas tiveram minha participação.
Boa leitura!

Sorriso estridente na minha alma
Exatidão de momento não cria futuro
A angústia não dita, vivida e sofrida
A solução poderia estar tão próxima
Por que sorrir? O que faz isto dentro de mim?
Ansiosa pelos segredos que não quero descobrir
Alegro-me com tão pouco, porém, este pouco me faz falta
Sempre esperamos por respostas que não chegam
Sorrir, sorrir, sorrir, é o que devo
Cupido maldito: o que foi que eu te perguntei?
Vida, esta vida sofrida, tão perdida e tão minha!

Marcela, Munique, Selma e Vinícius


O riacho era tão manso
Sorriso, a janela da alma
Liberdade: palavra-chave para acreditar
O sabor da alma é o amor
Ela nunca me contou nada
Liberdade é a imensidão de si em si mesmo
Escombros e ossos bem embaixo de nossos olhos
Mesmo sem entender, minha alma tem sede de Deus
Seus olhos faiscavam
Sorrisos, sonhos libertos!

Marcela, Munique, Selma e Vinícius


Sentimentos coletivos, sombrios e vazios

Vontade aflita de se libertar,
Infinita como tão pouco dita,
Sorrisos fingidos e doídos,
Sinto-me tão perdido, porém, tão vivido!

Por que está abatida minha alma?
O que esperar na descrença e desesperança?
O que há com o vazio descrente dentro de mim?

Espelhos mórbidos e obscuros,
Olhos sedentos de sangue.
Jornais manchados de hipocrisia e sensacionalismo
Inspiram teus pobres cuidados.

Marcela, Selma e Vinícius


Janela da alma

A janela da alma bela
Tão certa e tão incerta
Tão ela?
Ela, tão bela e tão fera!

Incerta essa menina
Bela menina poetisa
Com a janela aberta
E a alma inquieta!
Será que sua inquieta alma reproduz suas janelas?

Selma Carvalho


Psicopata encantador

Na nuca, noite escura
Revólver empunhado.
Mas a bala permanece nas mãos,
Do mais belo assassino!

Rouba de mim seus segredos,
Esconde embaixo da cama seus erros
Entrou no meu caminhar
Com o doce balanço do seu olhar vacilante.

Mentiroso profissional ou só mais um louco passional?
Guarda contigo estranhos segredos.
Descobertas monótonas,
Sorrisos enfadonhos e discretas confusões.

Marcela Ribeiro


Mesmo sem entender
A existência do viver
Vou caminhando sem compreender

Necessito nutrir minha alma
Como também a mente
Para compreender que sem Deus nada de sente.

Vinícius Sant’anna


Sonhos perdidos
Vontades e malícias
Angústias de um coração vazio

Tão seu esse sonho
Estranho desejo vivido
Esquecido em seu mais triste anseio
Completamente seu e meu, sem sentido

Selma Carvalho


Doce momento!
Desejo ciumento, violento
Arrogante sofrimento
Paixão e tormento

A beleza que há nesse sofrimento
Produz em mim um breve momento
Tormento em belas palavras
Num espaço ciumento, violento do tempo.

Cubro-me desse unguento
Brinco com meu pensamento
Distorço seu argumento
Reforçando meu sentimento

***

Noite sem luar
Céu nublado
Nem mesmo a falta de estrelas
Faz essa noite mais escura que nós dois.

Sempre me falam pra te esquecer
Mas como esquecer quem está comigo?
Quem vive em mim?
Nunca saiu, embora eu não te ame.

Acho que amo minha ilusão
O ser que eu era antes de você aparecer
E desapareceu destruindo tudo
Tudo aquilo que eu criei sobre mim.

Amo minha sede de não desistir
Minha sede de insistir
De investir em minha vida perfeitinha
Meus sonhos em que nem mais posso acreditar.

Para que querer perfeição
Se a biologia caminha para a podridão
Sua pureza exagerada
Não passa de um ensaio trágico
Daquilo que você deseja imaginar e acreditar.


Marcela Ribeiro


Da esquerda para a direita, Munique, Selma, Vinícius e Marcela.

Comentários

  1. Que venham mais e mais oficinas dessas, o mundo precisa de mais arte e principalmente de mais sentimentos...

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