Passou ao lado do tocador de órgão que recebia moedas em um quepe cáqui, estendido ao público pela mão esquerda. A música do realejo ecoava pela Avenida 16 de Setembro, juntando-se a tantas outras canções que se misturam pelos ares da cidade. Uma metrópole movimentada pelos mesmos rostos morenos, passando pelas mesmas ruas, cheias de casacos em pleno outono abafado. Havia quase ninguém no interior das lojas, que raramente anunciavam promoções. A 16 de setembro desembocava no Zócalo, uma praça imensa, histórica, cheia de patrimônios e multicultural. Uma bandeira enorme do país flanava vagarosamente em seu centro. Esticada à direita, como se o vento a segurasse em suas pontas, exibindo-a aos visitantes. Um campo aberto, com muitas vozes, crianças correndo, pessoas tirando fotos com a catedral ao fundo, com seus sinos pesados anunciando celebrações. Lá dentro, o Senhor do Veneno olhava cabisbaixo, crucificado e negro, todos os passantes, todos os pedintes, todo...