Clarita acordou decidida a colocar uma mensagem em uma garrafa e lançá-la ao mar assim que pudesse ir à praia no final de semana. Sempre sonhara com isso desde a infância e os adiamentos estavam incomodando-a há um tempo. Por que adiar algo tão simples? A ideia era escrever uma frase legal e inspiradora, à mão mesmo, em um pedaço de papel, qualquer tipo de papel, enrolar no formato de um canudinho, enfiar no gargalo de uma garrafa pequena e atirar nas águas salgadas, sem dó sem piedade. O fato de um estranho, talvez lá do Havaí ou do Alasca, abrir a garrafa e ler algo vindo de tão distante a fascinava. Porque, quando criança, Clarita perdeu as contas de quantas vezes ficava na areia, durante uma tarde inteira, esperando uma garrafa sair das espumas e rolar aos seus pés salgados. O conteúdo da garrafa não importava. Seu encantamento consistia em ser a eleita, a sortuda, a escolhida entre milhares para tirar a rolha de um recipiente que poderia ter viajado desde o Japão. A garrafa estav...