Paredes brancas testemunhas de atos irreais. Talvez esta noite ele durma mais tranquilo, sem ter cães devoradores ao lado de sua alma. Não é fácil ter gostos tão sutis em meio à parafernália da metrópole exigente que quer sangue quente e fresco a cada madrugada. Enxergou sóis triangulares e ouviu urros uterinos de jacarés-fêmea que não largaram seu corpo por horas a fio.
Sente coçar as marcas nos pulsos, abertas há quinze dias. Atos infernais depois de quatro doses de whisky com ácido sulfúrico. Ninguém o avisou que a estrada seria cor de petróleo e que os aromas doces de papoulas envenadas não eram para ele. Convidado insólito de festa acabada, caótica, manchada de suores amargos e viscosos.
Já é dezembro em seu calendário cambaleante. Já é fim de ano e de vida. Quando passar da meia-noite, brindes de novos ares, promessas de novos amores, tagarelar de novas esperanças, girar de tambores para ver quem tira a munição do azar. Ele sempre faz promessas, de joelhos, em frente às suas imagens sagradas, depois se chicoteia quinhentas vezes para certificar sua devoção. As jacarés-fêmea sempre o rondam ao redor de sua cama, com hálito de caça, de carne crua. O sangue seco dos pulsos as atraem.
Tarde da noite, recolhe-se sempre em seus pensamentos. Não consegue mais dialogar com ninguém. Seu amor se foi há três décadas e ele nem percebeu. Ouve discos arranhados e prega nas paredes brancas retratos de pessoas mortas. Há grades nas janelas de seu apartamento e os produtos de limpeza foram retirados às pressas. Engoliu os perfumes de todos os vidros e pensou atear fogo no tapete da sala, evocando as imagens sagradas que ele precisa tanto hoje. Está trêmulo e não consegue suspender o galão de gasolina. Quer morrer de outras formas, mas não sufocado. Quer brindar ainda depois da meia-noite com urina das jacarés-fêmeas. Talvez hoje enfie seu falo morto em cada uma delas. Refará depois as marcas nos pulsos. Com as paredes ele já fez um pacto. Elas devem ficar caladas, e ele fará preces para a lua nascer às nove, esverdeada, observada por detrás das grades da janela do sétimo andar. Jacarés-fêmea terminarão o serviço.
Cedo, lavará o sangue das paredes brancas. Tarde, ficará de joelhos sobre sementes de maçãs cortadas. Noite, ele dormirá de olho nas corujas que sujam seu tapete.
Jacarés-fêmea e jacarés-macho entrarão no cio às nove com lua esverdeada.
Sente coçar as marcas nos pulsos, abertas há quinze dias. Atos infernais depois de quatro doses de whisky com ácido sulfúrico. Ninguém o avisou que a estrada seria cor de petróleo e que os aromas doces de papoulas envenadas não eram para ele. Convidado insólito de festa acabada, caótica, manchada de suores amargos e viscosos.
Já é dezembro em seu calendário cambaleante. Já é fim de ano e de vida. Quando passar da meia-noite, brindes de novos ares, promessas de novos amores, tagarelar de novas esperanças, girar de tambores para ver quem tira a munição do azar. Ele sempre faz promessas, de joelhos, em frente às suas imagens sagradas, depois se chicoteia quinhentas vezes para certificar sua devoção. As jacarés-fêmea sempre o rondam ao redor de sua cama, com hálito de caça, de carne crua. O sangue seco dos pulsos as atraem.
Tarde da noite, recolhe-se sempre em seus pensamentos. Não consegue mais dialogar com ninguém. Seu amor se foi há três décadas e ele nem percebeu. Ouve discos arranhados e prega nas paredes brancas retratos de pessoas mortas. Há grades nas janelas de seu apartamento e os produtos de limpeza foram retirados às pressas. Engoliu os perfumes de todos os vidros e pensou atear fogo no tapete da sala, evocando as imagens sagradas que ele precisa tanto hoje. Está trêmulo e não consegue suspender o galão de gasolina. Quer morrer de outras formas, mas não sufocado. Quer brindar ainda depois da meia-noite com urina das jacarés-fêmeas. Talvez hoje enfie seu falo morto em cada uma delas. Refará depois as marcas nos pulsos. Com as paredes ele já fez um pacto. Elas devem ficar caladas, e ele fará preces para a lua nascer às nove, esverdeada, observada por detrás das grades da janela do sétimo andar. Jacarés-fêmea terminarão o serviço.
Cedo, lavará o sangue das paredes brancas. Tarde, ficará de joelhos sobre sementes de maçãs cortadas. Noite, ele dormirá de olho nas corujas que sujam seu tapete.
Jacarés-fêmea e jacarés-macho entrarão no cio às nove com lua esverdeada.
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