E não é que de repente chegamos ao lugar que tanto queríamos? Mas devo lamentar a perda de meu par de brincos, de ouro branco, cheio de pontos de diamantes. Uma fineza, jóia raríssima, que poderia assegurar meus próximos anos, já que certeza nesta vida nunca temos. Mas por enquanto eu fico com o perfume deste jardim lindo que achei que nunca fosse ver mais. Cada flor com cheiro único e maravilhoso de... flor. E até meia dúzia de borboletas apareceu, sempre enxeridas comendo suas porções minúsculas. Agora que me afastei do grupo, pude respirar ar puro e pensar melhor na minha vida daqui para a frente, com minhas próprias certezas que podem não ser as mesmas do destino.
Tantos anos se passaram e ela rainha de todo esse império. Império para mim, afinal nunca tive nada de muito expressivo. Os banheiros devem precisar de uma boa reforma, mas isso é com eles e não comigo. Com qual quarto devo ficar? Devem ser uns seis ou sete. Ainda bem que não há cães. Mesmo limpos são sarnentos, enxeridos, piores que as borboletas, comendo suas porções exageradas. Sem canil, menos um trabalho árduo. Eles precisam entrar primeiro. Se eu mostro minha cara de antemão, posso não ser compreendida. Talvez seja linchada. Linchada por ela e sua corja de empregados. Mas eles já têm seu destino certo. Foi dureza alugar este carro e chegar até este fim de mundo. Mas eu jurei a ela, ainda lá naquela velha casa, debaixo do abacateiro e pisando em suas folhas caídas de outono que o destino sorriria somente para uma de nós duas. E não é que quem sorri agora sou eu? Eles já devem ter feito o serviço. Os empregados ficarão pianinhos. Daqui a pouco verifico se há rastros e se os banheiros precisam de reforma urgente. Ainda tenho que procurar meus brincos de ouro branco. Mas deve haver outras jóias em gavetas, caixas, cofres, porões... Ela deve ter ficado rica, essa bruxa agourenta. Nossa mãe que nos perdoe. Ou melhor, que perdoe essa bruxa agourenta que edificou seu futuro em bases sólidas. Eu sempre fui a viajante, a aventureira, a despachada, a que arrisca. Esse império de dez ou onze quartos deve ser meu. Eu avisei lá no abacateiro. Já vou subir e entrar. Tenho que verificar os banheiros, que precisam ser reformados. Não posso urinar nos mesmos vasos sanitários que ela usou uma vida inteira até aqui.
Eles estão demorando. Alguma coisa deve ter saído errada. Ela é uma cadela mirrada e seus empregados são dois ou três. Não é possível que depois de tanto tempo tudo deu errado . Planejei cada milímetro da ação. Eles são três. São eles que sempre me protegeram e tudo sempre deu tão certo. Homens de ferro. Eles me prometeram fazer tudo direitinho e moraríamos nós quatro aqui, felizes para sempre. Sem a bruxa agourenta e seus capatazes de roupas alinhadas. Preciso dar as caras. Não vai ter jeito. Mas por que trago esse nó na garganta? Eu não tenho que ter pena dela. Eu jurei sobre as folhas do abacateiro, sob sua sombra infestada de pios de pássaros.
Alcanço a porta, mas não consigo abri-la. O combinado era ter a porta aberta para eu entrar depois e finalizar tudo, com glória. Eles não cumpriram com a parte deles.
Ela que sempre edificou tudo em bases sólidas. Não é possível que a sua esperteza ganhe da minha visão de mulher vivida, cheia de planos, caretas, mutretas...Vou ficar aqui até o dia amanhecer. Tudo o que eles tramarem lá dentro eu saberei descobrir. Mais cedo ou mais tarde eles sairão. Serão muitos contra uma só, mas enfrentarei. Eu tinha que perder meu par de brincos de ouro branco e diamantes justo neste momento tão difícil! Mas eu tenho a razão. Eu jurei mais alto que ela. E borboletas ou cães não me derrotarão agora. Eu juro sobre essas folhas de outono desta árvore desconhecida.
Tantos anos se passaram e ela rainha de todo esse império. Império para mim, afinal nunca tive nada de muito expressivo. Os banheiros devem precisar de uma boa reforma, mas isso é com eles e não comigo. Com qual quarto devo ficar? Devem ser uns seis ou sete. Ainda bem que não há cães. Mesmo limpos são sarnentos, enxeridos, piores que as borboletas, comendo suas porções exageradas. Sem canil, menos um trabalho árduo. Eles precisam entrar primeiro. Se eu mostro minha cara de antemão, posso não ser compreendida. Talvez seja linchada. Linchada por ela e sua corja de empregados. Mas eles já têm seu destino certo. Foi dureza alugar este carro e chegar até este fim de mundo. Mas eu jurei a ela, ainda lá naquela velha casa, debaixo do abacateiro e pisando em suas folhas caídas de outono que o destino sorriria somente para uma de nós duas. E não é que quem sorri agora sou eu? Eles já devem ter feito o serviço. Os empregados ficarão pianinhos. Daqui a pouco verifico se há rastros e se os banheiros precisam de reforma urgente. Ainda tenho que procurar meus brincos de ouro branco. Mas deve haver outras jóias em gavetas, caixas, cofres, porões... Ela deve ter ficado rica, essa bruxa agourenta. Nossa mãe que nos perdoe. Ou melhor, que perdoe essa bruxa agourenta que edificou seu futuro em bases sólidas. Eu sempre fui a viajante, a aventureira, a despachada, a que arrisca. Esse império de dez ou onze quartos deve ser meu. Eu avisei lá no abacateiro. Já vou subir e entrar. Tenho que verificar os banheiros, que precisam ser reformados. Não posso urinar nos mesmos vasos sanitários que ela usou uma vida inteira até aqui.
Eles estão demorando. Alguma coisa deve ter saído errada. Ela é uma cadela mirrada e seus empregados são dois ou três. Não é possível que depois de tanto tempo tudo deu errado . Planejei cada milímetro da ação. Eles são três. São eles que sempre me protegeram e tudo sempre deu tão certo. Homens de ferro. Eles me prometeram fazer tudo direitinho e moraríamos nós quatro aqui, felizes para sempre. Sem a bruxa agourenta e seus capatazes de roupas alinhadas. Preciso dar as caras. Não vai ter jeito. Mas por que trago esse nó na garganta? Eu não tenho que ter pena dela. Eu jurei sobre as folhas do abacateiro, sob sua sombra infestada de pios de pássaros.
Alcanço a porta, mas não consigo abri-la. O combinado era ter a porta aberta para eu entrar depois e finalizar tudo, com glória. Eles não cumpriram com a parte deles.
Ela que sempre edificou tudo em bases sólidas. Não é possível que a sua esperteza ganhe da minha visão de mulher vivida, cheia de planos, caretas, mutretas...Vou ficar aqui até o dia amanhecer. Tudo o que eles tramarem lá dentro eu saberei descobrir. Mais cedo ou mais tarde eles sairão. Serão muitos contra uma só, mas enfrentarei. Eu tinha que perder meu par de brincos de ouro branco e diamantes justo neste momento tão difícil! Mas eu tenho a razão. Eu jurei mais alto que ela. E borboletas ou cães não me derrotarão agora. Eu juro sobre essas folhas de outono desta árvore desconhecida.
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