Pés pesados caminhando nas ruas perdidas de labirintos aéreos. Nele há pedaços difíceis de serem juntados. Ele é fragmentado e irresistível. É único em cada pedaço sombrio de pés chumbados na realidade. Não é possível hoje mais uma desculpa e mais um escorregar pelo ralo da direita. Ele é o centro do meu mundo petrificado. As mesmas roupas revezadas. O mesmo sorriso enviesado. A mesma fala de mesmo tom mesmo quando o assunto inspira raiva ou indignação. Lobisomem e vampiro na mesma hora do dia. Anjo e criança irrequieta na mesma música orquestrada. Não sei se o que me atrai é a volatilidade ou a permanência do seu ser. Persigo seus pés de realidade desde que me mudei para essa cidade perdida no espaço. Também caminho com os pés pesados e eles doem como os descalços dos pagadores de promessa.
Minha promessa eu ainda não paguei. Um dia entrei em uma igreja de um santo de nome diferente em uma outra cidade bem longe daqui. Na época eu tinha lido a placa com as explicações históricas da construção, li o nome do santo homenageado, mas a fúria que trazia dentro do meu tórax desalmado me tomava por completo. Esqueci do semblante da imagem do altar, mas o que eu disse com os olhos salobros, já embaçados, eu me lembro muito bem. Pedi para ser feliz no amor. Assim mesmo, pateticamente. A idade chega e os miolos perdem a mais completa concatenação. Meio perdida, meio com certeza do que queria, talvez obstinada insuficientemente, pedi. Em troca, a promessa. Quando pedimos muito o que queremos, pedimos com medo. O destino pode atender e cobrar tudo depois em fúria. Ainda não fui atendida no quesito felicidade, mas fui pega de surpresa no quesito paixão desesperadora. Mas eu havia pedido isso na igreja de santo de cara embaçada?
Hoje vago com pensamento pesado, trago um tórax pesado e meus pés estão pesados, chumbados na realidade. Na realidade fragmentada de um intruso, sofrendo de um bombardeio amarelado. Os pés pesados dele se confundem com os meus, afundando em areia mole e irreversível. Nem sabe que eu existo. Quer dizer, ele sabe, mas não faço a mínima diferença para ele. Fragmentos chumbados no meu coração de pedinte de porta de igreja.
Oh, santo de nome que não me recordo, desfaço agora o meu pedido de ser feliz no amor porque o amor eu encontrei, mas a felicidade não veio junto. Assim mesmo, pateticamente. Parti. Morri. Estou pesada como escafandro de destino certo, o fundo cada vez mais fundo. Mas deixa ele assim, As mesmas roupas revezadas. O mesmo sorriso enviesado. A mesma fala de mesmo tom mesmo quando o assunto inspira raiva ou indignação. Lobisomem e vampiro na mesma hora do dia. Não vivo sem a ausência fragmentada que já preencheu até aqui meu coração, como um mosaico romano desbotado.
Ele, fragmentado. Eu, desbotada. Ele, sempre. Eu, às vezes. Pesados, bem pesados, talvez nos encontremos no fundo, suados dentro de um escafandro.
Minha promessa eu ainda não paguei. Um dia entrei em uma igreja de um santo de nome diferente em uma outra cidade bem longe daqui. Na época eu tinha lido a placa com as explicações históricas da construção, li o nome do santo homenageado, mas a fúria que trazia dentro do meu tórax desalmado me tomava por completo. Esqueci do semblante da imagem do altar, mas o que eu disse com os olhos salobros, já embaçados, eu me lembro muito bem. Pedi para ser feliz no amor. Assim mesmo, pateticamente. A idade chega e os miolos perdem a mais completa concatenação. Meio perdida, meio com certeza do que queria, talvez obstinada insuficientemente, pedi. Em troca, a promessa. Quando pedimos muito o que queremos, pedimos com medo. O destino pode atender e cobrar tudo depois em fúria. Ainda não fui atendida no quesito felicidade, mas fui pega de surpresa no quesito paixão desesperadora. Mas eu havia pedido isso na igreja de santo de cara embaçada?
Hoje vago com pensamento pesado, trago um tórax pesado e meus pés estão pesados, chumbados na realidade. Na realidade fragmentada de um intruso, sofrendo de um bombardeio amarelado. Os pés pesados dele se confundem com os meus, afundando em areia mole e irreversível. Nem sabe que eu existo. Quer dizer, ele sabe, mas não faço a mínima diferença para ele. Fragmentos chumbados no meu coração de pedinte de porta de igreja.
Oh, santo de nome que não me recordo, desfaço agora o meu pedido de ser feliz no amor porque o amor eu encontrei, mas a felicidade não veio junto. Assim mesmo, pateticamente. Parti. Morri. Estou pesada como escafandro de destino certo, o fundo cada vez mais fundo. Mas deixa ele assim, As mesmas roupas revezadas. O mesmo sorriso enviesado. A mesma fala de mesmo tom mesmo quando o assunto inspira raiva ou indignação. Lobisomem e vampiro na mesma hora do dia. Não vivo sem a ausência fragmentada que já preencheu até aqui meu coração, como um mosaico romano desbotado.
Ele, fragmentado. Eu, desbotada. Ele, sempre. Eu, às vezes. Pesados, bem pesados, talvez nos encontremos no fundo, suados dentro de um escafandro.
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