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Com um golpe certeiro

Talvez seja assim
talvez valha a pena
a minha navalha
cortando a sua carne tenra
de véspera de feriado
meu amor bailou
na curva torpe
ao som de uma orquestra qualquer
saliva azul
de minhas nuvens chorosas
salina crua
de minhas pedras amorosas
sabatina pura
por detrás de maçã podre
saraivada de lua
em dia de primavera rasgada
cheia de abelhas, joaninhas
ratos no meu miocárdio
caraminholas necrosadas
enterradas onde nascem outras, outras, outras e tantas outras
caraminholas cinzas
extintas de minha estirpe
de minha tendência de salto agulha
e furo na pálpebra
de quem nunca mais adormecerá ao meu lado
nunca
em meus lençóis manchados
nunca
em minhas memórias
pontiagudas
nunca
em meu travesseiro marrom encontrado no meio da rua.

Nunca.

Comentários

  1. [a estória é essa... caraminholas necrosadas! só nelas podem nascer as estórias que, desde a navalha ao travesseiro achado na rua, fazem emergir o ébrio adormecido do inconsciente, vindo à tona através do corte da poeta: pela navalha, é claro! *não é fácil de entender a prosa, mas interessante, sim! um abraço, Mrs. Munique Duarte...

    passa lá no nosso blog quando puder!]

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  2. Que linda e perversa. Romântica e quântica... ah, como queria ser poeta nessas horas, mas só sei gostar. Sabe aquele gostar de alma, sem palavras e só sorrisos? Então. E virei fã. Parabéns pela sensibilidade e humor.

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