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Assassinato rápido

Não conte a ninguém 
Mas o dia nasceu
Com uma hora a menos
Se você contar a alguém
O dia não será o mesmo
Haverá uma pessoa a menos
No dia em que você nasceu
Eu não contei a ninguém
Não conte a ninguém 
Sobre o que conversamos ontem
O dia foi forte
E cheio de sorvetes
Não conte a ninguém
Porque essa uma hora a menos
Do dia imperfeito
É minha salvação
Havia muita gente
Ninguém percebeu
Uma hora a menos 
É o de menos
Não posso contar a ninguém
Mas ontem te confessei
Entre sorvetes
O dia nasceu manco
Sem uma hora de sol quente
Então não conte a ninguém
Porque este intervalo 
De uma hora
Fez de mim alguém diferente
Guardo segredos de uma hora
Foi ontem
Te confessei
Não conte a ninguém
Em uma hora dá e sobra
Para matar a seco
Os desejos de alguém.

Não conte a ninguém.
Não conte a ninguém.

Comentários

  1. Muito bom! Adoro as suas escolhas de palavras. Mais um ótimo texto imperdoável!

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  2. Obrigada! O que eu mais gosto de fazer é brincar com elas, as palavras! Abraço! :)

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  3. Munique, a maneira como tece seus poemas me faz lembrar uns versos de Fernando Pessoa: "Palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas"
    Um abraço fraterno

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  4. Olá!!!
    Adorei seu blog, ele me parece ser totalmente verdadeiro. O que escreve é maravilhoso.

    Estou seguindo.

    Bjim.

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