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Anésia

Anésia tinha culpas no coração
Queria paz milagrosa
Era difícil na solidão
Sozinho ninguém puxa o carro
Sozinha desencatava
Com sentimento murcho
Anésia se sentia
Cada dia pior
Anésia comprou
Leite de magnésia
Definhava agora com hora certa
Olhava a lua com olhos fundos
Espírito embaraçado
Sem ninguém ao lado
Bordava panos imensos
Ao vento
Anésia acordou um dia muito estranha
Seca na boca
E na boca do estômago
Estranha somente
Amnésia repentina
Amnésia
Anésia agora
Dormiria em paz.

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