Sentada em um dos bancos surrados do trem que parte do subúrbio para o centro de Paris, observo pessoas como se fossem pinturas admiráveis, mesmo que não tenham nada de extraordinário. A senhora que viaja bem à minha frente olha a paisagem pelo vidro da janela, perdida em seus pensamentos. É muito raro alguém te olhar nos olhos quando se viaja por essas terras. Estão todos absortos, flutuantes, em seu cotidiano mesmicento. Eu noto todos e me fixo no olhar deles. A tal senhora que viaja diante de mim tem roupas escuras, mesclando preto com marrom. Do seu lado direito, percebo uma sacola pequena de papel com um pão. A ponta do pão aparece do lado de fora, presenciando o ar fechado de multidão misturada. Suas mãos estão ressecadas. Seus cabelos, com alguns fios brancos, estão opacos. Seu rosto, sem maquiagem, tem traços fortes. Em momento algum ela olhou para mim. Mirava os telhados do lado de fora. Corriam um depois do outro, enquanto sentíamos dentro do vagão o seu trota...