Pular para o conteúdo principal

Lonely day

Despetalei
Seu perfume fosco
No meio do meu deserto particular
Esperei por horas
A chegada do seu sonho
Debulhada
Desfez meus hábitos
Hálito de areia me refez
Entrelaçada na paisagem
Me tornei freio diante do seu tato
Desmanchei
Cada espinho na folha de algodão
Sabia da sua hora na aurora boreal
Na despedida
Embaraço
Onde está o laço
Que nos desfez.

Comentários

  1. Percorrendo seu blog, estacionei neste belo poema.
    Adorei tudo que vi, muito bom.
    Visite-me em: www.proferoque.spaceblog.com.br, em www.gostodeler.com.br (colunistas = Roque Weschenfelder) e www.recantodasletras.com.br/autores/roquealoisio
    Beijos de um Feliz Ano Novo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sapatos molhados

  Tirou os sapatos molhados e os colocou debaixo cama. O calor dos pesadelos diários os secaria. Talvez um banho quente fizesse diferença. Mas ouvir os trovões que continuavam era um alento. Abafavam os gritos que vinham de dentro. Quando o trem passou cortando a tarde nublada, não imaginava que a tarde seria de tormentas. Molharia os pés ao atravessar a rua. E continuaria com eles molhados até dar o primeiro espirro. E junto com ele a lembrança. Ele a viu na janela em frente ao semáforo enquanto cruzava a via. O olhar dela se desfez para o lado, em fuga. Ainda pensou em esboçar um cumprimento, mas ela foi inteiramente fuga. Rebobinou todos os acontecimentos anteriores dos últimos anos. Conhecera-a na escola. Tinha cabelos longos castanhos e voz um pouco grave, que acrescentava razão a tudo o que dizia. Ele, calado, sempre concordava. Vivia dizendo a ela que um dia correria atrás de um trem para alcançar o último vagão e nele viajar. Ela sorria sem entender as loucuras dele. Eram b...

Cacos de ampulheta

  O mar podia contar a ele muitos segredos, mas se calou. O mar pode nos contar segredos se tivermos ouvidos feitos em cristal. Contentou-se em lamber seus pés, ainda sabendo que é imensidão. Dúvidas são calos que não nos deixam. Percorre a areia com os pés descalços até sentir que as águas salinas esfriaram. Ou foram as solas dos pés que se esquentaram sobre a areia fina de verão. O escafandro já estava preparado para a tarde. Para o isolamento. Memórias são calos que não nos deixam. E o mar não o consola. Peso no coração que pende para o lado esquerdo quando as decisões são apertadas. O tempo se espreme na ampulheta em prisão perpétua. Suas areias querem liberdade. E a língua fria do mar em dias quentes. De volta pra casa, o dia se estende em lembranças tortuosas. O mar não quis revelá-lo sobre como ser imenso e ter sempre razão. Como rugir com patas enormes de dinossauro. Sobre a cama ainda um último bilhete. Um último conselho. Ele tem visitado o mar todos os dias. Sua língua s...